13 de janeiro de 2026

A agricultura é um dos pilares da economia do sudoeste paulista, mas a sustentabilidade desse setor depende diretamente de uma gestão consciente e eficiente da água. Em um debate recente, especialistas ressaltaram a importância da irrigação e do plantio na palha como técnicas fundamentais para o desenvolvimento agrícola da região, aliando produção e preservação ambiental.

Vitor Pereira, gestor da ASPIP (Associação Sudoeste Paulista de Irrigação e Plantio na Palha), destacou que a associação, que representa 40 municípios, tem como missão principal promover a agricultura de baixo carbono. Ele explicou que a irrigação e o plantio na palha são parte de um conjunto de técnicas que o Brasil adota para mitigar as emissões de gases de efeito estufa e contribuir para a sustentabilidade do planeta. “A ASPIP é um espaço para a gente trazer informações e discutir as evoluções da agricultura”, afirmou Pereira.

Bruna Soldera, professora da Fatec de Itapetininga e representante do Instituto Água Sustentável, também participou do debate e reforçou a relação intrínseca entre água e agricultura. “Sem água, a gente não tem agricultura, é simples”, pontuou. Ela abordou o estigma de que a agricultura irrigada consome muita água, enfatizando que o uso pode e deve ser feito de maneira sustentável. O plantio na palha, por exemplo, é uma técnica que ajuda a conservar a umidade do solo, otimizando o uso da água.

Gestão Hídrica e o Papel dos Agricultores

O debate evidenciou o engajamento dos agricultores da região na gestão de recursos hídricos. Vitor Pereira apresentou dados de um estudo do Cepea-Esalq/USP que revelam a importância socioeconômica da agricultura no sudoeste paulista: o setor é responsável por 40% do PIB e mais de 50% dos empregos locais. “É por isso que os agricultores se organizaram e fundaram a associação para participar da gestão de recursos hídricos nos comitês de bacia”, explicou Pereira.

A ASPIP atua ativamente no Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Paranapanema, sendo inclusive eleita para a vice-presidência, o que demonstra o compromisso dos produtores com o tema. Bruna Soldera, que também participa do comitê, ressaltou a característica agrícola da bacia do Alto Paranapanema e a relevância de uma gestão integrada. “A gestão de recurso hídrico é o coração de um comitê de bacia. Isso tem que ser falado mais”, destacou.

Educação Ambiental como Ferramenta de Mudança

Para Soldera, a educação ambiental é o ponto de partida para qualquer mudança na forma como a água é utilizada. Como coordenadora da Câmara Técnica de Educação Ambiental do comitê, ela enfatiza que o objetivo é levar conhecimento a todos os segmentos, do produtor rural à indústria, das prefeituras às escolas.

“Tudo começa pela educação”, afirmou. “Primeiro a pessoa precisa conhecer para depois a gente poder cobrar alguma ação, seja na conservação da água ou num uso mais sustentável e econômico”.

O consenso entre os especialistas é claro: a produção agrícola no sudoeste paulista é vital, mas o sucesso depende de uma abordagem que valorize a água como um recurso finito e essencial. A atuação conjunta de associações como a ASPIP, institutos de pesquisa e produtores rurais é o caminho para garantir um futuro mais sustentável para a agricultura e para a região.

Veja a entrevista completa.

 

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Por Portal das Cidades

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