A pecuária leiteira na região de Itapetininga ganha um novo impulso com o projeto CATI Leite, uma iniciativa da Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI), órgão ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. O projeto, que resgata e fortalece uma atuação anterior, visa aprimorar as boas práticas de produção, garantindo rentabilidade e eficiência ao produtor rural.
O Portal das Cidades entrevistou o diretor regional da CATI de Itapetininga, Marcelo Ament Giuliani dos Santos, e a zootecnista e líder do grupo técnico de pecuária leiteira, Ana Paula Roque, detalharam o funcionamento e a importância do projeto.
Foco na Rentabilidade e na Base da Produção
O CAT Leite é um trabalho de assistência técnica e extensão rural gratuito que começa com a identificação e o manejo do principal gargalo na maioria das propriedades: a produção de alimento.
“O projeto CATI Leite é um trabalho de assistência técnica e extensão rural voltado para melhorar as boas práticas de produção de leite dentro da propriedade, visando que o produtor tenha rentabilidade,” explica Ana Paula Roque. “O trabalho funciona, começa focado na produção de alimento dentro das propriedades, porque a gente percebe que isso é o principal gargalo para a maioria dos produtores.”
A atividade leiteira é uma das mais complexas no meio rural, exigindo conhecimento em diversas áreas como fertilidade do solo, manejo de pastagens, sanidade animal, reprodução e qualidade do leite. O trabalho da CATI foca justamente em auxiliar o produtor a ter uma alimentação de qualidade para os animais o ano todo, planejando a época da seca (inverno) para que o ganho do verão não seja perdido.
Crédito Orientado e Parceria com o Produtor
Um dos grandes diferenciais do projeto é a facilidade de acesso a linhas de crédito governamentais, como as do Fundo de Expansão da Agropecuária Paulista (FEAP).
“O Estado quer fazer essa cessão de crédito, mas para as propriedades prioritariamente que a gente acompanha,” afirma Marcelo Giuliani dos Santos.
A linha específica é o FEAP Leite AgroSP, que oferece empréstimos de até R$ 200 mil, com juros que variam de 3% a 6% ao ano, carência de dois anos e prazo de pagamento de seis anos. O crédito é orientado para investimentos cruciais, como a construção de salas de ordenha, reforma de canaviais, e distribuição de água.
Produtores que fazem parte do CAT Leite também podem acessar outras linhas do FEAP, como o PSA (Pagamento por Serviços Ambientais), que oferece subsídios para melhorias na conservação de solo e água, incluindo terraceamento, curvas de nível e cercamento de nascentes.
Exigências e Responsabilidades
Para ingressar no projeto, o produtor deve procurar a Casa da Agricultura local, manifestando a demanda pela assistência técnica gratuita. Uma vez dentro, o trabalho é construído em parceria:
- Responsabilidades da CATI: Visita mensal, suporte técnico completo e acompanhamento zootécnico e econômico.
- Responsabilidades do Produtor: Realizar exames sanitários obrigatórios (brucelose, tuberculose), fazer o acompanhamento econômico (anotar despesas, receitas e índices zootécnicos), ter o Cadastro Ambiental Rural (CAR) regularizado e deixar a propriedade aberta para dias de campo e treinamento de outros técnicos e produtores.
O projeto é um acordo entre as partes, e a gestão eficiente é uma exigência. “O produtor tem que saber… tem que fazer a gestão daquela propriedade, aprender a gerir aqueles dados para tomar as decisões,” ressalta Ana Paula.
Perspectivas para a Região
A pecuária leiteira é uma atividade forte em Itapetininga e fundamental para a sobrevivência de muitas famílias. O CATI Leite busca blindar o produtor contra a volatilidade do mercado, focando no gerenciamento da porteira para dentro.
“Quanto mais você gerenciar da porteira para dentro, menos você fica volúvel à variação de preço,” pontua Ana Paula. Produtores eficientes chegam a ter despesas que correspondem a apenas 41% da receita, garantindo uma margem de conforto.
Marcelo Giuliani finaliza reforçando o convite: “O CATI Leite é um projeto forte que vem com um impulso novo aí dentro do estado, dentro da nossa regional. E que os produtores que tenham interesse, que procurem as Casas da Agricultura, que procurem a regional, pra gente bater um papo e ver as possibilidades.” O recado é claro: viver do leite é possível, desde que haja eficiência, gestão e o domínio do “feijão com arroz” da produção.


