Entrevista de Pedro Morais, do Coletivo SÍNTESES
Conheça o Quinta Categoria Crew, um grupo que transforma as ruas em espaços de resistência, inclusão feminina e diálogo.
O nome pode sugerir algo de “baixa qualidade”, mas a intenção é exatamente o oposto: a humildade.
O coletivo Quinta Categoria Crew nasceu do encontro casual de artistas que buscavam nas ruas uma forma de expressão e liberdade.
Os integrantes Danilo, Zoio e House contaram um pouco as origens, os desafios e a filosofia por trás de um do grupo que se mantém ativo na cena artística urbana em Itapetininga.
O Nome e a Filosofia
A origem do nome “Quinta Categoria” é curiosa e carrega uma dose de ironia.
Surgiu porque um dos membros fundadores folgava às quintas-feiras e, sendo os “moleques mais novos” da cena, adotaram o termo em tom de brincadeira.
“A gente se aprofundou no nome para passar a sensação de algo simples, para não nos colocarmos como superiores a nada”, explicam. O objetivo é desmistificar a arte e incentivar quem está começando. Para o grupo, não há espaço para “mimi”: se há vontade de aprender, há potencial.
Arte como Sobrevivência e Revolta
Para o veterano Zoio, que atua nas ruas desde 1999, o grafite é mais do que estética.
“A arte para mim é a força que eu tenho de continuar vivo num sistema que oprime e reprime. Busco libertação através dela”, afirma.
Com 26 anos de experiência, Zoio relembra momentos de tensão política, como quando uma de suas pinturas gerou conflito direto com um vereador e resultou em um documentário após ser censurada pela prefeitura.
Já Danilo traz a bagagem do “picho”, onde atuou por quase uma década antes de migrar para o grafite dentro do coletivo. Ele descreve sua trajetória como um processo de autodescoberta: “Começou como revolta, mas depois virou uma forma de me expressar, de colocar palavras de motivação ou até de ódio em algo sólido”.
Ocupação Feminina e a Nova Geração
Uma das vozes fundamentais do grupo é House, que iniciou sua jornada em 2021.
Sua entrada no Quinta Categoria Crew teve um propósito claro: ocupar um espaço majoritariamente masculino e incentivar outras mulheres.
“Sempre apreciei a arte de rua, mas pensava: ‘sou mina, será que os caras vão me aceitar?’. Comecei sozinha, por ter sido invalidada em outros momentos, e hoje fico grata de ver cada vez mais meninas aparecendo”, conta House.
Um Museu a Céu Aberto
Diferente das galerias e museus tradicionais, o trabalho do Quinta Categoria Crew é inevitável. Está nos muros, nos postes e nas esquinas, abrangendo desde o grafite e o picho até o artes e crafts, música e o lambe-lambe político.
O grupo atua como um “hub” de acolhimento. Eles promovem caminhos para que os jovens artistas possam pintar de forma mais segura, muitas vezes em muros liberados, para evitar o preconceito e facilitar o aprendizado.
Ao serem questionados sobre o futuro, a mensagem é de persistência. “A pintura está aí desde a pré-história. Por que parar agora só por causa do digital?”, questionam.
O Quinta Categoria Crew promete continuar incomodando e colorindo o sistema, mantendo viva a mensagem de que a rua é de todos e a arte é a ferramenta máxima de expressão humana.
Veja a entrevista completa.


