31 de janeiro de 2026

Entrevista de Pedro Morais, do Coletivo SÍNTESES

Conheça o Quinta Categoria Crew, um grupo que transforma as ruas em espaços de resistência, inclusão feminina e diálogo.

O nome pode sugerir algo de “baixa qualidade”, mas a intenção é exatamente o oposto: a humildade.

O coletivo Quinta Categoria Crew nasceu do encontro casual de artistas que buscavam nas ruas uma forma de expressão e liberdade.

Os integrantes Danilo, Zoio e House contaram um pouco as origens, os desafios e a filosofia por trás de um do grupo que se mantém ativo na cena artística urbana em Itapetininga.

O Nome e a Filosofia

A origem do nome “Quinta Categoria” é curiosa e carrega uma dose de ironia.

Surgiu porque um dos membros fundadores folgava às quintas-feiras e, sendo os “moleques mais novos” da cena, adotaram o termo em tom de brincadeira.

“A gente se aprofundou no nome para passar a sensação de algo simples, para não nos colocarmos como superiores a nada”, explicam. O objetivo é desmistificar a arte e incentivar quem está começando. Para o grupo, não há espaço para “mimi”: se há vontade de aprender, há potencial.

Arte como Sobrevivência e Revolta

Para o veterano Zoio, que atua nas ruas desde 1999, o grafite é mais do que estética.

“A arte para mim é a força que eu tenho de continuar vivo num sistema que oprime e reprime. Busco libertação através dela”, afirma.

Com 26 anos de experiência, Zoio relembra momentos de tensão política, como quando uma de suas pinturas gerou conflito direto com um vereador e resultou em um documentário após ser censurada pela prefeitura.

Danilo traz a bagagem do “picho”, onde atuou por quase uma década antes de migrar para o grafite dentro do coletivo. Ele descreve sua trajetória como um processo de autodescoberta: “Começou como revolta, mas depois virou uma forma de me expressar, de colocar palavras de motivação ou até de ódio em algo sólido”.

Ocupação Feminina e a Nova Geração

Uma das vozes fundamentais do grupo é House, que iniciou sua jornada em 2021.

Sua entrada no Quinta Categoria Crew teve um propósito claro: ocupar um espaço majoritariamente masculino e incentivar outras mulheres.

“Sempre apreciei a arte de rua, mas pensava: ‘sou mina, será que os caras vão me aceitar?’. Comecei sozinha, por ter sido invalidada em outros momentos, e hoje fico grata de ver cada vez mais meninas aparecendo”, conta House.

Um Museu a Céu Aberto

Diferente das galerias e museus tradicionais, o trabalho do Quinta Categoria Crew é inevitável. Está nos muros, nos postes e nas esquinas, abrangendo desde o grafite e o picho até o artes e crafts, música e o lambe-lambe político.

O grupo atua como um “hub” de acolhimento. Eles promovem caminhos para que os jovens artistas possam pintar de forma mais segura, muitas vezes em muros liberados, para evitar o preconceito e facilitar o aprendizado.

Ao serem questionados sobre o futuro, a mensagem é de persistência. “A pintura está aí desde a pré-história. Por que parar agora só por causa do digital?”, questionam.

O Quinta Categoria Crew promete continuar incomodando e colorindo o sistema, mantendo viva a mensagem de que a rua é de todos e a arte é a ferramenta máxima de expressão humana.

Veja a entrevista completa.

 

Autor

Por Portal das Cidades

O Portal das Cidades é um site de entrevistas e notícias da região de Itapetininga, num novo formato interativo com as plataformas digitais.

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