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Avanço dos golpes obriga os bancos a mudarem a aprovação de empréstimo

Avanço dos golpes obriga os bancos a mudarem a aprovação de empréstimo

Avanço dos golpes obriga os bancos a mudarem a aprovação de empréstimo

Por Rodolfo Takahashi, CEO da Gooroo Crédito

Durante anos, a principal promessa do crédito digital foi reduzir o tempo entre o pedido e o dinheiro na conta.

Hoje, porém, a velocidade deixou de ser suficiente.

Quanto mais rápida e escalável é uma operação, maior precisa ser a capacidade de identificar quem está do outro lado antes que o crédito seja concedido.

 

Os números mostram o tamanho do desafio. Segundo a Serasa Experian, no primeiro semestre de 2026 o Brasil registrou 2,8 milhões de tentativas de fraude de identidade durante processos de cadastro e validação, alta de 32,9% em um ano.

O prejuízo potencial das ocorrências evitadas chegaria a R$ 3,77 bilhões. E o sistema financeiro está entre os principais alvos.

Ainda segundo a pesquisa, no primeiro semestre de 2025, bancos e emissores de cartões concentraram 53,7% das 6,9 milhões de tentativas de fraude registradas no país.

 

Isso muda a discussão sobre inovação no crédito. Não basta criar uma jornada digital capaz de aprovar uma operação em poucos minutos.

É preciso construir uma jornada que também consiga verificar identidade, cruzar informações, reconhecer comportamentos suspeitos e registrar cada etapa da contratação.

 

O Crédito do Trabalhador é um exemplo da escala que essa infraestrutura já alcançou.

Criado em março de 2025, o programa fechou o ano com 15,1 milhões de contratos, cerca de R$ 94,2 bilhões movimentados e 8,2 milhões de trabalhadores alcançados.

Mais da metade dos beneficiários tinham renda de até quatro salários mínimos.

 

Uma operação dessa dimensão não pode depender exclusivamente de controles manuais ou de verificações feitas depois que o dinheiro já foi liberado. A prevenção precisa acontecer na origem, além de ser também uma questão de confiança. A pesquisa da Serasa Experian mostra que 51% dos brasileiros afirmam já ter sido vítimas de fraude e, entre essas pessoas, 54,2% tiveram prejuízo financeiro. O estudo também aponta que 86% esperam que as empresas adotem medidas para protegê-las.

 

Outro exemplo é a recente decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), que suspendeu as novas averbações de determinadas modalidades de cartão consignado até a análise definitiva do caso que trouxe novamente essa discussão para o centro do mercado. A medida cautelar foi motivada por questões relacionadas à segurança e aos controles do sistema.

 

O episódio, porém, deveria ser analisado para além de um produto ou instituição. Ele evidencia um desafio estrutural do mercado de crédito: quanto mais complexa a cadeia de contratação, maior precisa ser a capacidade de rastrear quem acessou o dado, quem autorizou a operação e em que momento cada decisão foi tomada. É nesse ponto que a tecnologia deixa de ser apenas uma ferramenta de conveniência e passa a ser componente de segurança.

 

Visando esse cenário, a antifraude precisa deixar de ser uma camada adicional do produto e passar a fazer parte da experiência do cliente. Validar identidade, autenticar o usuário e analisar sinais de risco não são etapas que competem com a experiência digital. São parte dela.

 

O próprio avanço das fraudes mostra por que uma única barreira não é suficiente. Inconsistências cadastrais, documentos adulterados, biometria e comportamento de dispositivos podem revelar sinais diferentes de uma mesma tentativa de fraude.

Por isso, a tendência é combinar diferentes fontes de informação e mecanismos de autenticação ao longo da jornada.

 

O desafio do crédito digital, portanto, não é escolher entre velocidade e segurança. É fazer com que as duas evoluam juntas. O crescimento do crédito em si, mas, principalmente, do Crédito do Trabalhador mostra o tamanho da oportunidade. Em poucos meses, milhões de contratos foram incorporados a uma infraestrutura digital centralizada. Mas, a escala sem segurança cria um problema tão grande quanto a falta de acesso ao crédito.

 

Contudo, o desafio do setor financeiro não é escolher entre ampliar o acesso ou aumentar a proteção. É construir modelos capazes de fazer as duas coisas simultaneamente.
Na minha visão, esse é um dos principais papéis das fintechs no novo mercado de crédito, usar tecnologia para reduzir fricções sem abrir mão de controles, substituir processos manuais por validações automatizadas e colocar o consumidor no centro da operação.
O futuro do crédito não será apenas mais digital. Ele precisará ser mais rastreável, mais transparente e mais seguro. E, nesse cenário, antifraude deixa de ser uma etapa do processo para se tornar parte da própria arquitetura do produto.

 

Foto: Cup of Couple

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