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China mantém tarifas sobre soja dos EUA e pode favorecer os produtores do interior paulista, mas margens exigem cautela

China mantém tarifas sobre soja dos EUA e pode favorecer os produtores do interior paulista mas margens exigem cautela

China mantém tarifas sobre soja dos EUA e pode favorecer os produtores do interior paulista mas margens exigem cautela

O anúncio do novo acordo de redução de tarifas entre Estados Unidos e China gerou apreensão sobre as perspectivas para a economia do setor do agronegócio e produtores rurais do interior de São Paulo.

A expectativa era de que as tratativas diplomáticas entre Washington e Pequim pudessem aliviar a taxação sobre a soja em grão norte-americana.

No entanto, a lista final com mais de 1.600 produtos divulgada pela Casa Branca e confirmada pelo Ministério do Comércio chinês excluiu explicitamente a soja em grão, mantendo a alíquota tarifária cobrada sobre o produto americano em 13%, enquanto a produção brasileira entra no mercado chinês com uma taxa favorável de 3%.

Para o interior paulista, a manutenção desse diferencial tarifário reitera o protagonismo da região na exportação de grãos, embora o ambiente exija prudência em relação às margens de lucro dos produtores.

A Dinâmica do Acordo e a Vantagem Competitiva do Brasil

De acordo com comunicados de órgãos governamentais dos EUA e da China, o acordo abrangeu produtos agrícolas “não sensíveis”  (como trigo, milho, sorgo, carnes e laticínios), mas preservou as restrições tarifárias sobre o carro-chefe das exportações agrícolas de ambos os países.

Com a tarifa da soja americana mantida em patamares elevados (13%), a commodity brasileira conserva sua competitividade tarifária (3%). Isso mantém o Brasil como a principal escolha da China para garantir suprimentos na virada de ano e no primeiro trimestre de 2027, momento em que a nova safra nacional começa a entrar no mercado.

Dados de consultorias do agronegócio e entidades do setor indicam que a China já contratou cerca de 39,4% de suas necessidades de soja para a temporada atual, com folga garantida para os meses de outubro e novembro via suprimento norte-americano.

No entanto, a cobertura para o período entre dezembro e março cai drasticamente. É nesse intervalo que os portos de exportação de São Paulo e do Sul do país deverão responder ao pico de demanda chinesa.

Em regiões polo de produção de soja no interior paulista, como Itapetininga e Itapeva, o cenário desenha um momento de retenção estratégica e cautela.

Margens Apertadas e Comercialização Travada

Apesar do cenário favorável à demanda externa, representantes de associações de produtores de soja ressaltam que o aumento nos custos dos insumos (especialmente fertilizantes e defensivos) e a alta das taxas de juros pressionam os resultados das fazendas.

Diante da volatilidade dos preços internacionais na Bolsa de Chicago e do câmbio, produtores em São Paulo têm evitado fechar vendas antecipadas a preços fixos, aguardando um movimento de alta no prêmio de exportação à medida que a janela de compras chinesa se reabra a partir de dezembro.

Logística e Valor Agregado

A manutenção da demanda aquecida favorece os corredores de escoamento agrícola que cortam o interior do Estado em direção ao Porto de Santos. Além disso, o setor de processamento e esmagamento no interior de São Paulo ganha previsibilidade para o fornecimento de farelo e óleo vegetal.

A janela de plantio da nova safra no Estado exige atenção redobrada quanto aos custos operacionais.

Com a soja americana ainda taxada na China, a liquidez para o grão paulista está assegurada no mercado externo, mas analistas econômicos recomendam proteger custos por meio de operações de hedge para evitar surpresas cambiais e oscilações do mercado.

Cenário de Médio Prazo: Compasso de Espera

As atenções do setor do agronegócio voltam-se para a reunião do grupo de trabalho agrícola bilateral criado por China e EUA, prevista para ocorrer antes do fim do ano.

Qualquer alteração futura nos acordos bilaterais poderá redimensionar o fluxo do comércio global de grãos.

Para o agro do interior paulista, o recado do mercado nesta semana é claro: a manutenção do quadro tarifário garante fluxo contínuo de exportação para a Ásia, mas a gestão financeira rigorosa dentro da porteira será o divisor de águas para garantir rentabilidade em uma safra na qual as margens precisam ser muito bem ajustadas.

Foto: MELQUIZEDEQUE ALMEIDA

Autor

  • Edmundo Vasques Prestes Nogueira é jornalista e editor do Portal das Cidades. Formado na Faculdade de Comunicação Cásper Líbero, há mais de 35 anos trabalha nas áreas de redação e telejornalismo.

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