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Conheça a história do caminhoneiro que tornou-se um dos maiores produtores de grama

Do início humilde na limpeza de peças de tratores ao posto de um dos maiores produtores e distribuidores de grama.

A trajetória do empresário Emerson Rocha se confunde com a própria consolidação de Itapetininga como a capital nacional da grama. À frente da LR Gramas, Rocha lidera hoje uma operação de alcance nacional que soma 7 milhões de metros quadrados de área cultivada espalhados por São Paulo e Minas Gerais, movimentando uma frota própria de dezenas de veículos e gerando cerca de 150 empregos diretos e indiretos.

Beto Hungria, do Canal Sócio Rural

Em entrevista ao Canal Sócio Rural,  apresentado por Beto Hungria, o empresário relembrou o início de sua trajetória, detalhou os desafios técnicos do cultivo e revelou os bastidores de fornecimento para grandes obras de infraestrutura, incluindo aeroportos e concessionárias de rodovias de todo o país.

Do Trabalho no Canavial à Fundação da LR Gramas

Emerson Rocha começou a trabalhar cedo. Aos 10 anos, seu primeiro trabalho foi lavar peças de uma oficina de tratores, conciliando os estudos no período da manhã com a rotina de trabalho à tarde. Aos 12 anos, obteve o primeiro registro em carteira numa rede de Supermercados na cidade de Itapetininga.

Aos 15 anos, Emerson passou a trabalhar com seu pai, Lázaro Rocha , cujas iniciais deram origem ao nome LR Gramas.

Inicialmente, trabalhavam como empreiteiros na colheita de cana-de-açúcar na Fazenda Paiol, localizada na estrada velha entre Itapetininga e Tatuí.

“Aos 18 anos tirei a carteira de motorista e comecei no caminhão, que sempre foi meu sonho. Os primeiros dez anos da LR Gramas, de 1991 a 2001, fui eu quem fiz as entregas de grama da empresa”, relembrou o empresário.

A Transição da Revenda para a Produção

A decisão de deixar de ser apenas intermediário para se tornar produtor surgiu de uma necessidade de mercado.

Nos anos 1990, a família Rocha comprava grama de grandes produtores regionais, como Itograss e Yoshino Oi, para revender.

No entanto, nos finais de ano , que era um período de pico na demanda , os produtores limitavam o carregamento a apenas um caminhão por cliente.

Isso inviabilizava o trabalho da família, que já contava com três caminhões.

Para contornar a limitação, Lázaro Rocha arrendou uma área de 6 hectares no bairro Sabiaúna, em Itapetininga. Sem conhecimento técnico sobre o cultivo, o início foi marcado por erros e aprendizados.

No início, o desafio foi o manejo. Por falta de tecnologia na época e conhecimento, a primeira remessa levou mais de dois anos para ser colhida, devido ao tempo necessário para acertar os defensivos contra ervas daninhas.

A tiririca e o solo também foram focos de problemas. Antes do surgimento de herbicidas seletivos há cerca de 20 anos, o combate à praga tiririca exigia a remoção mecânica de até 50 cm de solo contaminado por retroescavadeiras.

Mas as dificuldades não impediram a empresa de dar uma “grande virada”.

Após o sucesso do primeiro lote, o processo foi aprimorado. Hoje, o ciclo de produção médio é de um ano.

Escala Nacional e Diversificação de Variedades

Atualmente, além de Itapetininga, a LR Gramas mantém polos produtivos nos municípios paulistas de Quadra, nas regiões mineiras de Uberlândia e na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

A Grama Esmeralda é o carro-chefe da empresa e do mercado brasileiro, representando cerca de 90% de todo o consumo nacional.

De acordo com Emerson, a variedade é considerada “coringa” por atender desde contenção de taludes e paisagismo residencial até gramados esportivos, aeroportos e rodovias. A empresa também produz as variedades São Carlos Plus, Santo Agostinho e Japonesa.

Logística, Infraestrutura e Grandes Obras

A LR Gramas diferencia-se no mercado por controlar toda a cadeia de valor: produção, comercialização, transporte próprio, implantação e manutenção técnica do gramado.

Entre os principais clientes da empresa estão as concessionárias de rodovias e grandes projetos de infraestrutura aeroportuária.

A empresa forneceu grama vinda de Itapetininga para a reforma do Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu (estado do Paraná), além de atender obras nos aeroportos de Congonhas e Guarulhos (São Paulo), Salgado Filho (Porto Alegre) e Hercílio Luz (Florianópolis).

“Grama é o último item de uma obra. A safra do setor começa entre setembro e outubro e vai até o final do ano, impulsionada pelas entregas de obras públicas e pelo início do período chuvoso, que reduz a necessidade de irrigação artificial”, explicou Rocha.

Sustentabilidade, Solo e Desafios Técnicos

Durante a entrevista, o empresário desmistificou o impacto do cultivo de grama no solo. Segundo Emerson, o manejo adequado preserva a fertilidade da terra por décadas.

Na colheita do tapete (feita com 2 cm de espessura), no máximo 0,5 cm corresponde a solo real, enquanto 1,5 cm é composto pela trama de raízes.

Na área inicial da família no bairro Sabiaúna (Itapetininga/SP), o cultivo ocorre há 31 anos ininterruptos sem necessidade de replantio total, graças à regeneração das raízes e às adubações trimestrais ricas em NPK (rico em fósforo para enraizamento e nitrogênio para folhagem).

Atualmente, o maior desafio do setor não são mais as plantas daninhas, mas sim o surgimento de fungos agrícolas vindos de outras culturas, combate que a empresa vem realizando em parceria com universidades e multinacionais de defensivos.

Ao comemorar mais de 35 anos de história do negócio familiar, Emerson concluiu ressaltando que, apesar do crescimento da frota e da estrutura corporativa, o mais importante ao longo da jornada foi manter o equilíbrio: “Ganhar dinheiro é bom, mas viver é melhor ainda”.

Veja a entrevista completa.

 

 

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