Ícone do site Portal das Cidades

Economia do interior de São Paulo aguarda impacto do El Niño

Economia do interior de São Paulo aguarda impacto do El Niño

Economia do interior de São Paulo aguarda impacto do El Niño

Previsto para o mês de outubro, o fenômeno climático traz um cenário de efeitos para o interior paulista: ondas de calor desafiam hortaliças, café e reservatórios, enquanto setores de cana-de-açúcar projetam ganhos específicos. Os efeitos do El Niño terão impacto na econômica do interior de São Paulo, atingindo setores fundamentais como o agronegócio e a energia.

Caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, o evento climático atua de forma assimétrica sobre o estado de São Paulo, gerando temperaturas significativamente acima da média e um regime irregular de chuvas marcados por fortes oscilações e pancadas isoladas.

O Impacto Econômico no Agronegócio

De acordo com análises de especialistas da Embrapa e pesquisadores da Esalq/USP (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada – Cepea), o El Niño gera um panorama misto no campo paulista.

Cana-de-Açúcar e Pastagens: Em polos sucroenergéticos, como as regiões de Piracicaba, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto, volumes pontuais de chuva e altas temperaturas aceleram o desenvolvimento da biomassa. No entanto, ondas de calor intensas e estiagens prolongadas colocam em risco o teor de sucrose e a logística da colheita.

Hortifrúti e Olericultura: O setor de hortaliças figura como um dos mais impactados. Temperaturas projetadas até 2 °C acima da média elevam a evapotranspiração, exigindo maior irrigação e elevando custos operacionais, o que resulta em perda de produtividade e repasse direto aos preços ao consumidor.

Café e Citricultura: A cafeicultura na região de Franca e do Sul/Sudoeste paulista e os pomares de citros enfrentam estresse hídrico nos períodos de florada e pegamento dos frutos, gerando incertezas nas projeções de safra acompanhadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Pressão nos Preços, Energia e Recursos Hídricos

A dimensão do El Niño ultrapassa as porteiras das fazendas.

Inflação dos Alimentos: Quebras pontuais de hortaliças e frutas reduzem a oferta nos centros de distribuição (como os Ceasas do interior), pressionando a cesta básica local.

Custo Energético e Reservatórios: O aumento térmico eleva expressivamente a demanda por energia para refrigeração e irrigação. Monitoramentos de bacias como o Sistema Cantareira acendem o alerta para a gestão dos recursos hídricos.

A  Defesa Civil Estadual   acompanha os alertas emitidos pelo Inmet e pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e mantém planos de contingência para o Combate a Incêndios Florestais. A estiagem aliada a temperaturas extremas aumenta os focos de queimadas.

A incerteza climática reforça a necessidade de contratação de seguros rurais reforçados para blindar a economia regional.

OS IMPACTOS DO EL NIÑO NA REGIÃO DE ITAPETININGA

O Sudoeste do Estado enfrentará ondas de calor e chuvas irregulares pressionando a citricultura, o setor de hortaliças, a pecuária leiteira e os recursos hídricos regionais.

A expressiva produção de hortifrúti, grãos, citros, silvicultura e pecuária leiteira na microrregião de Itapetininga vive sob a influência direta das alterações microclimáticas trazidas pelo El Niño.

A combinação de temperaturas médias acima do padrão histórico com precipitações mal distribuídas e tempestades pontuais altera os custos dos produtores rurais regionais.

A horticultura de ciclo curto — uma das forças econômicas locais que abastece tanto as feiras regionais quanto a CEAGESP na capital — figura como um dos setores mais vulneráveis:

O aumento de até 2 °C acima da média diária acelera a perda de umidade do solo. Para manter a qualidade do cultivo de folhosas, tomates e legumes, os irrigantes precisam operar sistemas por mais tempo, o que eleva a conta de energia elétrica e intensifica o uso do volume hídrico.

A incidência de pancadas de chuva de alta intensidade, típicas da instabilidade provocada pelo El Niño, provoca o tombamento e o apodrecimento foliar antes do ponto de colheita, resultando em menor oferta e pressão sobre os preços ao consumidor final.

Impactos na Citricultura, Pecuária Leiteira e Silvicultura

Citricultura: Em pomares da região, picos térmicos no momento da florada causam o abortamento de flores e o estresse hídrico dos frutos, exigindo investimentos reforçados em manejo fitossanitário para conter pragas oportunistas.

Pecuária Leiteira: A alta variação térmica atinge diretamente o rebanho leiteiro da região. O estresse térmico em vacas em lactação pode reduzir a produtividade diária em até 30%, além de degradar a capacidade de suporte das pastagens, obrigando a migração precoce para silagem e rações concentradas.

Silvicultura (Eucalipto e Pinus): Embora mais resistente a variações rápidas, a silvicultura regional sofre com o risco elevado de incêndios em áreas de manejo e em vegetação nativa, demandando planos operacionais intensivos de brigadas em parceria com a Defesa Civil do Estado.

Reflexos Econômicos na Bacia do Alto Paranapanema

Do ponto de vista macroeconômico regional, a instabilidade gera dois grandes pontos de atenção.

Sustentabilidade dos Mananciais: A bacia do Alto Paranapanema, fundamental para o abastecimento público e geração de energia no sudoeste do estado, exige gestão cautelosa da água frente ao aumento simultâneo da irrigação e do consumo urbano.

Seguro Rural e Solvência: A frequência acrescida de eventos extremos eleva a busca por instrumentos de seguro agrícola e crédito rural oficial para garantir a solvência de pequenos e médios produtores atingidos por eventuais quebras de safra.

Foto: Jonathan Borba

Autor

  • Edmundo Vasques Prestes Nogueira é jornalista e editor do Portal das Cidades. Formado na Faculdade de Comunicação Cásper Líbero, há mais de 35 anos trabalha nas áreas de redação e telejornalismo.

    Ver todos os posts
Sair da versão mobile