Estudo de riscos climáticos no Lote Paranapanema mostra áreas mais vulneráveis e prevê medidas de adaptação de estruturas e ações de prevenção para incêndios e erosões
A região de Sorocaba está entre as áreas que recebem ações do Governo de São Paulo para preparar a malha rodoviária diante da previsão de efeitos de eventos climáticos extremos nos próximos meses. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), chuvas intensas, vendavais e temperaturas muito altas devem fazer parte do cenário no Estado de São Paulo e em boa parte da Região Sudeste. No Lote Paranapanema, que reúne mais de 280 quilômetros de rodovias entre Itapetininga e Ourinhos, um Relatório de Monitoramento de Riscos Climáticos identificou pontos de atenção relacionados a incêndios, erosões, inundações e escorregamentos e orienta medidas de prevenção e adaptação da infraestrutura.
Dos riscos avaliados neste trecho, que inclui a Rodovia Raposo Tavares (SP-270), a SP-278 e a SP-189, dois apresentam tendência climática definida: o fogo, com agravamento robusto, e a erosão, relacionada principalmente à maior concentração das chuvas e à estabilidade do solo.
Como medida preventiva, serão instaladas caixas d’água nas novas bases do Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU), que estão em construção. Além de abastecer as unidades, os reservatórios poderão ser utilizados pelas equipes no apoio às ações de combate a incêndios.
O estudo integra uma estratégia que também está presente em outras concessões rodoviárias estruturadas pelo Governo de São Paulo.As ações incluem estabilização de encostas e taludes, implantação e recuperação de sistemas de drenagem, monitoramento de chuvas, manutenção da infraestrutura e planejamento de medidas para ampliar a capacidade de resposta das rodovias diante de eventos extremos.
Ainda na região de Sorocaba, na Serra de Tapiraí, foi concluída recentemente a obra de contenção e estabilização do talude localizado no km 167 da Rodovia Tenente Celestino Américo (SP-079). O trabalho restabeleceu as condições operacionais de um dos principais trechos de ligação entre o interior e o litoral sul paulista. A intervenção foi iniciada a partir do diagnóstico de um processo erosivo de grande porte.
Em uma área com características geológicas e ambientais que exigem soluções específicas de engenharia, a estrutura executada possui aproximadamente 48 metros lineares, além da reconstrução de cerca de 160 metros de pavimento no trecho da intervenção. A obra, com investimento de aproximadamente R$ 7 milhões, também contou com novos sistemas de drenagem, dispositivos de segurança viária, recuperação do pavimento e recomposição das áreas impactadas.
Ações em todo o Estado de SP
No Alto Tietê, na Rodovia Pedro Eroles (SP-088), conhecida como Mogi-Dutra (CNL), uma das principais intervenções em andamento é a estabilização de talude no km 46. A intervenção, na altura de Mogi das Cruzes, integra o conjunto de ações voltadas à estabilização da encosta após processo erosivo associado à ação das chuvas. A conclusão da obra, que conta com 17 mil metros de perfuração em solo e rocha e combina terraplenagem, contenção e drenagem, além da instalação de mais de 20 toneladas de tela metálica, está prevista para novembro deste ano.
A obra vai estabilizar e recuperar a encosta para ampliar a segurança do trecho em períodos de chuvas intensas. Outra intervenção de estabilização acontece em uma encosta na Rodovia Dom Paulo Rolim Loureiro (SP-098), entre Mogi das Cruzes e Bertioga (CNL). Na mesma via, a preparação para períodos de chuva intensa também ganhou reforço com a instalação de pluviômetros em pontos estratégicos da região de serra. Os equipamentos permitem acompanhar os volumes de precipitação e apoiar as estratégias operacionais em situações de maior intensidade de chuva. As duas rodovias também possuem bases definitivas do Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU), estruturadas para atendimento em situações de emergência e para prestar apoio e orientação aos motoristas.
No trecho norte do Rodoanel Mário Covas, que já está com 73% das obras executadas, a gestão de resiliência climática atua de forma preventiva. São realizados monitoramentos, além de atividades de manutenção e engenharia para ampliar a capacidade de resposta da rodovia a eventos extremos. O trabalho é orientado pelo Plano de Gerenciamento de Riscos (PGR).
Os dados são analisados em conjunto com as características estruturais e ambientais das estruturas construídas, como sistemas de drenagem, Obras de Arte Especiais (OAEs), taludes, cobertura vegetal e Áreas de Preservação Permanente (APPs), permitindo identificar pontos de atenção e direcionar ações preventivas e de engenharia. Atualmente, 13 frentes de obras atuam simultaneamente, com serviços de pavimentação, obras civis de túneis, implantação de barreiras e contenções, além de intervenções em taludes.
No segmento já entregue, entre as rodovias Presidente Dutra e Fernão Dias, o Rodoanel também é conduzido pelo Plano de Atendimento às Emergências (PAE), que mapeia trechos que demandam acompanhamento específico e orienta a atuação das equipes para o atendimento aos usuários.
Na Rodovia Castello Branco, entre os km 13 e 54, os serviços de conservação reforçam a preparação da via para períodos de chuvas intensas. As ações incluem limpeza, manutenção e adequações nos sistemas de drenagem, manutenção das barreiras (guard rails), iluminação e sinalização, além de serviços nas juntas de dilatação de pontes e viadutos.
Serviços semelhantes ocorrem na Rodovia Raposo Tavares, entre os km 10 e 34, e na Rodovia Coronel PM Nelson Tranchesi (SP-029), onde as equipes também atuam com sondagens e levantamentos topográficos que ajudam a identificar pontos de atenção e orientar intervenções preventivas.
A duplicação da Rodovia Lívio Tagliassachi (SPA-053/280), entre Araçariguama e São Roque, também incorpora soluções de engenharia para ampliar a segurança da via diante de mudanças nas condições climáticas. Com investimento de R$ 174 milhões, a obra prevê 8,5 quilômetros de duplicação e conta com estruturas de drenagem e pavimentação projetadas para reduzir o acúmulo de água na pista.
No trecho de serra da Rodovia Geraldo de Barros (SP-304), entre Torrinha e Santa Maria da Serra, foi implantado um sistema de monitoramento de chuvas. Como medida preventiva, quando o volume pluviométrico ultrapassa 80 milímetros, o tráfego na serra é interditado devido ao risco de deslizamentos.
Em diferentes regiões, as ações permitem antecipar situações de risco e reforçar pontos vulneráveis da malha rodoviária. A combinação entre diagnóstico, monitoramento, planejamento e obras de engenharia amplia a preparação das rodovias para eventos climáticos extremos e contribui para manter a segurança e a continuidade dos deslocamentos no Estado de São Paulo.
Foto: Luis Quintero
Adicione o Portal das Cidades no Google
