Investimento em ferrovias vai ligar São Paulo a Campinas, Sorocaba e São José dos Campos, mantendo o interior de São Paulo conectado com a capital.
O plano de ressuscitar o transporte ferroviário de passageiros no estado de São Paulo avançou significativamente. Sob o guarda-chuva do programa “SP nos Trilhos”, que prevê mais de R$ 190 bilhões em investimentos para o setor, os projetos do Trem Intercidades (TIC) começam a transformar a infraestrutura logística e de mobilidade urbana, conectando a capital a importantes polos econômicos do interior.
As frentes de trabalho envolvem aportes bilionários e parcerias estratégicas entre os governos estadual e federal, além de consórcios internacionais.
O Trem Intercidades (TIC) é um projeto em parceria. O modelo envolve investimentos tanto do Governo Federal como do Governo do Estado de São Paulo.
A estruturação e o planejamento da obra são da Secretaria de Parcerias em Investimentos e a Agência de Transporte do estado de São Paulo, contando com aporte de recursos federais, incluindo verbas do programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) e linhas de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Eixo Norte (Campinas): Obras Iniciadas e Financiamento do FGTS
O projeto mais maduro é o TIC Eixo Norte, que vai ligar São Paulo a Campinas (passando por Jundiaí) em um trajeto de 101 km percorrido em 64 minutos. Com o contrato assinado com o consórcio C2 Mobilidade Sobre Trilhos (formado pelo grupo brasileiro Comporte e pela fabricante chinesa CRRC), o projeto totaliza R$ 14,2 bilhões em investimentos.
As obras já começaram em cidades do interior como Vinhedo e Valinhos. Esta fase inicial se concentra em canteiros de apoio, terraplenagem e na preparação para a segregação física dos trilhos — separando as linhas de passageiros das composições de carga.
Apoio Federal: Recentemente, o governo federal liberou o uso de recursos do FGTS por meio de portaria seletiva, que se somam aos financiamentos do BNDES voltados à mobilidade urbana no estado, garantindo o fôlego financeiro para o avanço dos canteiros paulistas.
Eixo Oeste (Sorocaba): Orçamento de R$ 11,9 Bilhões
O próximo passo da expansão mira a região de Sorocaba. Os documentos de consulta pública do TIC Eixo Oeste apontam um custo estimado de R$ 11,9 bilhões para tirar o trajeto do papel, com uma previsão de construção estimada em oito anos.
Diferente do eixo de Campinas, que aproveitou a faixa operacional da antiga Linha 7-Rubi, o trem de Sorocaba exigirá um traçado praticamente novo. Por conta disso, a divisão estimada do orçamento revela onde estão os maiores desafios de engenharia:
| Destinação do Investimento | Valor Previsto |
| Obras de Arte (Pontes, viadutos e túneis) | R$ 2,1 bilhões |
| Material Rodante (Compra da frota de trens) | R$ 1,4 bilhão |
| Desapropriações (Terrenos privados e remoções) | R$ 1,1 bilhão |
Eixo Leste (São José dos Campos) no Horizonte
O plano do governo paulista também contempla o Vale do Paraíba. A Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI) conduz os estudos de viabilidade técnica, jurídica e financeira para o TIC Eixo Leste, planejado para conectar São Paulo a São José dos Campos.
O projeto tem um custo estimado de R$ 10 bilhões e prevê um tempo de viagem de 75 minutos. A modelagem financeira deve ser concluída no segundo semestre de 2026, abrindo caminho para futuras audiências públicas e posterior leilão na Bolsa de Valores (B3).
Somados, os projetos pretendem encurtar distâncias geográficas, injetar bilhões de reais na construção civil pesada do interior e abrir um novo capítulo na malha ferroviária de média velocidade do país.
Matéria feita com ajuda do Gemini

