Foto: Brett Sayles
O mercado de telecomunicações brasileiro registrou um dos movimentos de consolidação mais marcantes dos últimos anos no segmento de banda larga fixa.
No primeiro semestre de 2026 a Claro fechou o acordo para a aquisição de 73,01% do capital social votante da Desktop (DESK3), provedora que se consolidou como uma das maiores forças de infraestrutura de conectividade em fibra óptica no estado de São Paulo.
A previsão de investimentos chega a R$ 2,4 Bi na busca da liderança em Fibra Óptica, principalmente no interior paulista.
A transação ainda aguarda aprovações regulatórias do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para a efetiva transferência das operações e unificação das redes.
O investimento envolve a compra de 84,68 milhões de ações ordinárias pelo valor de R$ 2,414 bilhões, atribuindo à Desktop um Enterprise Value (valor de firma, incluindo dívidas líquidas) da ordem de R$ 4,0 bilhões. O movimento sacramenta a estratégia das grandes operadoras nacionais em expandir sua presença regional por meio da integração de Internet Service Providers (ISPs) maduros e altamente capilares.
Fortalecimento no Interior de SP e a Capilaridade da Desktop
Fundada em Sumaré e com crescimento acelerado nos últimos anos, a Desktop expandiu sua rede neutra e de acesso para 198 cidades do interior paulista, atendendo a uma base de mais de 1,2 milhão de clientes ativos em conexões de ultravelocidade via FTTH (Fiber-to-the-Home). Os resultados da empresa comprovaram o desenvolvimento da economia do interior de São Paulo.
A malha da Desktop cobre regiões estrategicamente relevantes da infraestrutura da economia do Estado, como as macrorregiões de Campinas, Sorocaba, Vale do Paraíba, Baixada Santista e a Região Central paulista. Conforme destacou a diretoria da Desktop em seus relatórios institucionais, a eficiência de custos (OPEX), somada ao alto nível de satisfação técnica e ao ecossistema próprio de atendimento regional, tornaram a operadora um ativo cobiçado no radar de fusões e aquisições (M&A).
Com a incorporação da rede da Desktop à sua infraestrutura de backbone, a Claro revalida a liderança absoluta no mercado de banda larga do Estado de São Paulo — unindo sua infraestrutura de cabo e fibra ao alcance capilar da Desktop nas cidades de médio e pequeno porte.
Detalhes Financeiros e a Deslistagem da B3 (OPA)
De acordo com fatos relevantes encaminhados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) :
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Valor por Ação e Prêmio: A operação foi fechada com um valor unitário por ação que representou um prêmio expressivo de aproximadamente 44,6% sobre a última cotação dos papéis no mercado à vista da B3.
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Vendedores do Bloco de Controle: O bloco vendedor foi composto pelos fundos sob gestão da Makalu Brasil Partners e pelos fundadores e executivos originais da companhia
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Mecanismo de Escrow: Foi acordado o retido proporcional de até R$ 175 milhões em conta de escrow para cobertura de eventuais obrigações de indenização no prazo de 5 anos.
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Oferta Pública de Aquisição (OPA) e Saída da Bolsa: Em função do direito de tag along e da alienação do controle acionário, a Claro realizará uma Oferta Pública de Aquisição das ações remanescentes (26,99% em free float), com intenção de fechar o capital da Desktop e deslistá-la do segmento Novo Mercado da B3, onde a empresa havia estreado em seu IPO em 2021.
O Cenário Macro de M&A em Telecomunicações
A compra da Desktop ocorre após um período de prolongadas conversas e especulações de mercado. Em 2024 e 2025, outros players, como a Telefônica Brasil (Vivo), chegaram a avaliar e negociar o ativo, porém divergências sobre sobreposição de redes e precificação adiaram a consolidação.
Segundo analistas do mercado financeiro, o setor de telecomunicações no Brasil passa por uma segunda fase inevitável de consolidação. Após o surto de pulverização promovido pela expansão dos provedores regionais entre 2018 e 2022, a alta taxa de juros e a necessidade de rentabilizar os investimentos em capital (CAPEX) impulsionaram o movimento de junção entre as “teles” nacionais e os grandes ISPs de fibra.
Matéria feita com ajuda do Gemini

