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Milho Paulista tem desafios na exportação e aposta no consumo interno

Milho Paulista tem desafios na exportação e aposta no consumo interno

Milho Paulista tem desafios na exportação e aposta no consumo interno

O agronegócio do milho no interior do estado de São Paulo vive um momento estratégico. Confrontados com forte concorrência no comércio internacional e gargalos de logística, os produtores paulistas voltam suas atenções para o aquecido mercado interno regional, impulsionado pelas indústrias de ração animal, suinocultura, avicultura e pela expansão do processamento de etanol de milho.

Regiões como Itapetininga e Itapeva destacam-se com a produtividade, adotando biotecnologia de ponta e sistemas sustentáveis para manter a rentabilidade em meio às flutuações das cotações internacionais.

O Desafio das Exportações: Concorrência e Logística

Historicamente, o Brasil consolidou-se entre os maiores exportadores globais de milho. Contudo, a safrinha e a safra de verão em São Paulo enfrentam uma disputa acirrada no mercado de exportação.

A concorrência da forte safrinha do Centro-Oeste brasileiro (Mato Grosso e Goiás) e a recuperação das safras nos Estados Unidos e Argentina pressionam os preços nas bolsas internacionais.

Mas existem novas oportunidades relacionadas aos custos de frete, por estarem situadas próximas a grandes centros consumidores do Sudeste, as lavouras paulistas podem direcionar o grão aos portos como o de Santos. Esta alternativa também tem seu gargalo logístico, pois  a produção do milho precisa competir por frete rodoviário e ferroviário com o complexo da soja e do açúcar.

De acordo com análises de especialistas da Fundação Getúlio Vargas (FGV Agro) e dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA/Esalq), a produção de milho  oscila em patamares que exigem cautela no planejamento financeiro das propriedades. A desaceleração pontual do ritmo de embarques externos faz com que o grão fique retido ou encontre destino mais rentável no consumo doméstico.

Mercado Interno: A Força da Demanda Regional

Se o front externo impõe volatilidade, o mercado interno do estado de São Paulo atua como um porto seguro. O Valor da Produção Agropecuária do milho no interior do estado de São Paulo apresentou expressiva valorização recente, consolidando o cereal entre as culturas mais relevantes da agropecuária paulista.

Fatores como a Nutrição Animal, a Indústria de Alimentos e o Etanol de Milho fazem parte desse processo.

Nutrição Animal: O complexo proteico paulista (aves, suínos e gado de corte confinado) absorve a maior parte do milho produzido no interior.

Indústria de Alimentos e Amidos: Plantas de processamento situadas no estado demandam grãos com padrão específico de qualidade.

Etanol de Milho: A consolidação de usinas flex no Sudeste cria uma demanda contínua ao longo de todo o ano, reduzindo a dependência da sazonalidade das safras.

O Destaque da Economia Regional: Itapetininga e Itapeva

As Regiões Administrativas de Itapetininga e Itapeva concentram altos índices de rendimento físico por hectare. Levantamentos socioeconômicos da Fundação SEADE e mapeamentos tecnológicos da Embrapa destacam o sudoeste paulista como uma referência na transição para a agricultura de precisão.

Itapetininga tem localização estratégica de logística e forte conexão com agroindústrias de ração e granjas.  A cultura na cidade tem plantio direto, rotação de culturas (milho/soja) e irrigação por pivô central.

Itapeva tem um dos maiores volumes de grãos do estado, com elevadas médias de sacas por hectare. A cultura na cidade  é feita com sementes transgênicas de alta performance, adubação de precisão e também conta com insumos biológicos.

Segundo a Embrapa Milho e Sorgo, a adoção de boas práticas de manejo do solo e o combate integrado a pragas (como a cigarrinha-do-milho) têm sido cruciais para assegurar o teto produtivo elevado, superando as médias nacionais.

Perspectivas para o Setor

A sustentabilidade financeira das lavouras dependerá da gestão rigorosa de custos. Com a taxa de juros e o impacto dos preços dos insumos, o produtor do interior de São Paulo tende a diversificar as formas de comercialização. É necessário diminuir custos e priorizar contratos de longo prazo com as indústrias locais.

O cenário para a produção de milho aponta que o melhor caminho é o das indústrias e da pecuária do próprio estado de São Paulo.

Foto: Valentin Ilas

Autor

  • Edmundo Vasques Prestes Nogueira é jornalista e editor do Portal das Cidades. Formado na Faculdade de Comunicação Cásper Líbero, há mais de 35 anos trabalha nas áreas de redação e telejornalismo.

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