O interior de São Paulo consolida uma transformação profunda na pecuária.
Os dados da Produção da Pecuária Municipal (PPM) 2025, publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam que a pecuária paulista atingiu patamares históricos de eficiência. A tendência de otimização territorial do estado se confirma: diminui-se o número de cabeças em pastagens extensivas e eleva-se a produtividade por hectare com alta tecnologia, genética de ponta e integração lavoura-pecuária.
De acordo com indicadores da Fundação Getúlio Vargas (FGV) a profissionalização e a intensificação do uso da terra permitiram ao estado elevar substancialmente o valor bruto gerado pela pecuária, impulsionando a balança comercial e alimentando os mercados mais exigentes do planeta.
Produtividade em Alta e Foco no Mercado Externo
A transição paulista de uma pecuária extensiva para sistemas intensivos de confinamento e semiconfinamento transformou a matriz produtiva.
Com ciclos de engorda mais curtos e recuperação do peso de abate em prazos recordes, o estado atende com rigor aos padrões sanitários internacionais.
Nas exportações, a pecuária de São Paulo — com destaque para a carne bovina in natura e processada, a carne de frango e os derivados lácteos — desempenha papel central nas vendas externas brasileiras.
Principais Países Compradores da Pecuária Paulista
China: Principal destino global das carnes paulistas, absorvendo a maior fatia das exportações de carne bovina e de aves para abastecer a crescente demanda de sua classe média.
União Europeia (destaque para Alemanha e Países Baixos): Compradora de cortes nobres e produtos com rigoroso rastreamento sanitário e socioambiental.
Estados Unidos: Importador relevante de carne bovina industrializada e cortes resfriados de alto valor agregado.
Oriente Médio (Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos): Mercado estratégico para a avicultura paulista, focado na certificação Halal.
Chile e Filipinas: Mercados emergentes que ampliaram as compras de proteína animal do estado nos últimos anos.
Uma Década de Transformações e Resiliência (2016–2025)
Crescimento Acumulado: O valor de produção da pecuária paulista praticamente dobrou no período (+99,3%), saltando de R$ 13,8 bilhões em 2016 para R$ 27,5 bilhões em 2025.
Fase de Aceleração Exponencial (2019–2021): O triénio registou um aumento acumulado de +56,7%, alavancado pela procura externa excecional e valorização dos preços dos alimentos no mercado global.
Pico de Valorização (2020–2021): Período marcado pelo ciclo de alta das commodities, forte desvalorização cambial e demanda aquecida da China.
Resiliência e Ajuste de Ciclo (2022–2023): As retracções pontuais foram moderadas (menos de 5% ao ano) e refletiram ajustamentos normais do ciclo pecuário global e margens de insumos, sem comprometer os ganhos estruturais de produtividade do estado.
Maturidade Produtiva (2024–2025): O setor voltou a crescer a taxas consistentes perto dos 5% ao ano, impulsionado pela maior eficiência por hectare e diversificação entre carne bovina, avicultura e lacticínios
Ajuste e Retomada (2022–2025): Após acomodação nos preços dos insumos e da arroba entre 2022 e 2023, o setor voltou a crescer com ganhos de eficiência produtiva e expansão da avicultura e da pecuária leiteira.
| Ano | Valor de Produção (Bilhões) | Variação (Ano Anterior) |
| 2016 | R$ 13,8 | — |
| 2017 | R$ 14,5 | + R$ 0,7 |
| 2018 | R$ 15,2 | + R$ 0,7 |
| 2019 | R$ 17,1 | + R$ 1,9 |
| 2020 | R$ 21,4 | + R$ 4,3 |
| 2021 | R$ 26,8 | + R$ 5,4 |
| 2022 | R$ 25,9 | – R$ 0,9 |
| 2023 | R$ 24,7 | – R$ 1,2 |
| 2024 | R$ 26,2 | + R$ 1,5 |
| 2025 | R$ 27,5 | + R$ 1,3 |
As entidades representativas do setor — como a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP), a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) e a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) — destacam que os próximos anos serão pautados pela sustentabilidade, descarbonização e inteligência de dados.
Com o rastreamento individual do rebanho e o uso de nutrição adequada, a pecuária do interior de São Paulo reafirma sua meta de produzir mais em menor área.
.
O Exemplo da Região de Itapetininga
A região de Itapetininga exemplifica como a diversificação e a tecnologia transformaram o interior do estado em uma potência agropecuária. De acordo com dados do IBGE e análises regionais da Fundação SEADE, a região vem despontando dentro da economia do agronegócio do estado de São Paulo.
Integração Lavoura-Pecuária-Floresta
A região se destaca pela substituição de pastejo tradicional por sistemas integrados, onde a pecuária de corte contracena com o cultivo de grãos (milho e soja) e florestas plantadas de eucalipto.
Pecuária Leiteira e Bovina de Corte
Com frigoríficos e laticínios instalados no município e região, Itapetininga é um polo logístico para o escoamento de leite e de bovinos com alto padrão de rastreabilidade.
Avicultura e Suinocultura Tecnificadas
A infraestrutura de granjas na região adota automação de ambiente e biosseguridade de ponta, fornecendo proteína para os centros urbanos da Região Metropolitana de São Paulo e Sorocaba.
Foto: Ademola Adebowale

