O cachorrinho Pitoco, protagonista do consagrado poema do itapetiningano Abílio Victor (Nhô Bentico), ganhará uma grande homenagem em 2026. Uma bela escultura desenvolvida pelo artista John Valenz.
A escultura será colocada, em breve, no “Largo dos Amores” em Itapetininga (Praça Marechal Deodoro) com uma particularidade especial: quem passar pelo local poderá “cumprimentar” Pitoco, que terá a pata levantada para ser tocada pelas pessoas.
O artista peruano John Valenz desenvolve o projeto da escultura do cachorrinho Pitoco na Casa Kennedy, com recursos da Lei Aldir Blanc. Ele escolheu homenagear “Pitoco” por considerar a poesia uma obra prima e seu autor, Abílio Victor (Nhô Bentico), pouco valorizado na cidade.
Ele teve o cuidado de fazer a escultura do “Pitoco” com rabo, para não incentivar o corte do rabo dos cachorros, que é uma mutilação do corpo dos pets.
John Valenz é peruano e especialista em várias artes, como a fotografia, pintura, xilogravura, escultura e tatuagem.
Ele realiza aulas de cerâmica e fotografia na Casa Kennedy, em Itapetininga.
Conheça o Poema “Pitoco”, de Abílio Victor (Nhô Bentico)
Pitoco era um cachorrinho
Que eu ganhei do meu padrinho
Numa noite de Natal
Era esperto, muito ativo
Tinha dois zóio bem vivo
Saltando pra cá, pra lá
Bem cedo me levantava
Pitoco que me acordava
Coos latido, sem Pará
Me fazia tanta festa
Lambia na minha testa
Queria inté me bejar
Nos domingo, bem cedinho
Pegava meu bodoguinho
Os pelote no borná
Pitoco corria na frente
Dano sarto de contente
Rolano nos capinzá
Aquele devertimento
De grande contentamento
Ia inté no sor entrar
Era domingo de mês
E dia de Santa Ines
Tinha festa no arraiá
Minha mãe, as criançada
Tudo de roupa trocada
Na capela foi rezá
Fugino por outra estrada
Co pitoco fui caçar
Hoje, dói minha concência
Pra morde a desobidiência
Pitoco latia, latia
Mostrano tanta alegria
Sem nada podê cismar
I eu tacava um pelote
Fazeno virá cambóte
Um pobre cara-cará
Pitoco me acumpanhava
De veis in quano sentava
E quiria adivinhar
De repente fiquei fria
Gritei pra virge Maria
Que pudia me sarvá
Uma urutu das dorada
Num gaio dipindurada
Tava pronta pra sartar!
Pitoco ficô arrepiado
Ficô co zóio vidrado
E deu um sarto mortá
Se cumbateu ca serpente
Repicô tudo de dente
Mas num pode se escapar
Pitoco morreu latindo
Os zóio vivo, tão lindo
Foi fechano devagar
Parece quinté se ria
Da minha patifaria
De num poder le sarvar
E neste mundo tão oco
Onde os amigo são pouco
Despois que morreu pitoco
Nunca mais tive outro iguá!


