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Problemas financeiros impactam saúde mental de 89% dos brasileiros, revela pesquisa

Problemas financeiros impactam saúde mental dos brasileiros, revela pesquisa

Problemas financeiros impactam saúde mental dos brasileiros, revela pesquisa

Psicólogo e diretor do Hospital Saúde Premium, Davi Tomasi explica como o endividamento pode afetar sono, humor, autoestima, relacionamentos e capacidade de tomar decisões; em Sorocaba, rede municipal acompanha casos relacionados a problemas com jogos

As dificuldades financeiras ultrapassam cada vez mais os limites do orçamento e podem repercutir diretamente na saúde mental. Pesquisa da Serasa em parceria com o Opinion Box mostra que 89% dos brasileiros entrevistados afirmam já ter sentido impactos dos problemas financeiros na saúde mental.

O levantamento também aponta que 71% perceberam prejuízos no sono, 53% alterações de humor e 50% problemas de autoestima. Além disso, 62% disseram já ter deixado de procurar ajuda psicológica por falta de recursos.

Em Sorocaba, os reflexos dos problemas financeiros também aparecem entre as demandas acompanhadas pela rede municipal de Saúde Mental. Segundo informações da Secretaria da Saúde (SES), foram identificadas 70 pessoas em acompanhamento específico relacionado a problemas com jogos. Os atendimentos ocorrem principalmente nos CAPS AD III, embora alguns casos também sejam acompanhados em CAPS III, de acordo com as necessidades identificadas pelas equipes.

A faixa etária predominante entre os casos identificados está entre 25 e 50 anos. A rede municipal também desenvolve grupos terapêuticos voltados ao cuidado de pessoas com problemas relacionados aos jogos, além de acompanhamento individual e outras estratégias definidas conforme o Projeto Terapêutico Singular de cada usuário. A Coordenadoria de Saúde Mental da Secretaria da Saúde de Sorocaba mantém atendimento específico para essa questão em dois CAPS.

Para o psicólogo Davi Tomasi, diretor do Hospital Saúde Premium, o principal sinal de alerta é quando a preocupação com dinheiro deixa de ser pontual e começa a interferir na rotina.

“É natural ter preocupação diante de uma dívida ou de uma dificuldade financeira. O problema é quando isso passa a dominar os pensamentos e começa a afetar o sono, o humor, os relacionamentos, o trabalho e a capacidade de tomar decisões”, explica.

Segundo o especialista, pode se estabelecer um ciclo difícil de interromper. A pressão financeira aumenta a ansiedade e o sofrimento emocional, enquanto esses mesmos sintomas podem dificultar a organização das contas e a busca por soluções.

“A pessoa pode começar a evitar abrir uma conta, atender uma cobrança ou olhar para a própria situação financeira porque aquilo provoca sofrimento. Só que a fuga tende a aumentar a sensação de perda de controle”, afirma Tomasi.

Outro aspecto importante é o impacto sobre a autoestima. Culpa, vergonha e sensação de fracasso podem fazer com que o indivíduo associe a dificuldade financeira ao próprio valor pessoal.
“Uma dívida é uma situação financeira, não uma definição sobre quem a pessoa é. Quando ela começa a pensar que fracassou ou que não é capaz, o problema passa a atingir também a autoestima. A vergonha ainda pode fazer com que ela se isole e deixe de pedir ajuda”, explica o psicólogo.

Os reflexos podem chegar também aos relacionamentos familiares e ao ambiente profissional. Irritabilidade, preocupação constante, dificuldade de concentração e afastamento podem aumentar conflitos em casa e prejudicar o desempenho no trabalho.

Para quem percebe que as dívidas estão afetando o sono, o humor e a rotina, Tomasi recomenda não esperar que a situação se agrave para buscar apoio.

“É importante reconhecer o problema sem transformar a dificuldade financeira em uma condenação pessoal. Organizar as finanças é importante, mas cuidar da saúde emocional também é. Quando há sofrimento persistente, procurar ajuda profissional é uma forma de cuidado, não um sinal de fraqueza.”

Para quem não consegue pagar por atendimento psicológico particular, existem alternativas na rede pública. O SUS oferece atendimento em saúde mental por meio da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que inclui Unidades Básicas de Saúde e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

“A falta de dinheiro para uma terapia particular não significa que a pessoa precise enfrentar o sofrimento sozinha. É possível buscar orientação na rede pública e conversar com profissionais de saúde”, orienta Tomasi.

O psicólogo deixa ainda uma mensagem para quem sente que a dificuldade financeira ou a dívida tomou conta da própria vida: “O problema financeiro não define quem você é. Uma dívida pode ser negociada e reorganizada, e o sofrimento emocional também pode ser cuidado. O primeiro passo é sair do isolamento e pedir ajuda.”
Sobre o Hospital Saúde Premium

O Hospital Saúde Premium, em Capela do Alto , atua na área de saúde mental e oferece atendimento especializado e abordagem multidisciplinar. A instituição conta com profissionais de diferentes áreas e informa oferecer atendimento 24 horas, além de acompanhamento durante a internação e suporte no período pós-alta.

Fonte: Hospital Saúde Premium – interior de São Paulo
Estrada Municipal João Moreira, 100 – Ribeirão – Capela do Alto – Instagram: @hsp_premium

Foto: Towfiqu barbhuiya

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