O Projeto Casa – Centro de Apoio Social ao Adolescente – se destaca como um farol de esperança e oportunidade para jovens em situação de vulnerabilidade social na cidade. O Portal das Cidades entrevistou o presidente do projeto, Daniel Pereira da Silva, e a coordenadora geral de atividades, Sandra Mariano, para conhecer melhor a instituição e suas ações.
A história do Projeto Casa, que hoje atende cerca de 150 jovens, remonta aos anos 90, com uma iniciativa singular que uniu responsabilidade social e um olhar visionário.
Sandra Mariano, com sua experiência de funcionária da época, revelou que o projeto nasceu de uma parceria entre o psiquiatra Dr. Laert Pires, então responsável pelo então hospital psiquiátrico de Itapetininga, e Marco Antônio de Almeida Bueno, conhecido como Ruela.
A ideia inicial do Dr. Laert era criar uma horta terapêutica para pacientes, mas Ruela, já engajado com o projeto “Criança Feliz” e atento à realidade de adolescentes sem moradia, propôs algo maior.
“O Ruela levou esses adolescentes, eram seis na época, para morar em uma casa da avó dele que estava desocupada”, contou Sandra, destacando a iniciativa que viria a moldar o futuro da instituição.
A família de Ruela, em um gesto de solidariedade, providenciava a alimentação, e os jovens começaram a aprender a trabalhar na horta, marcando o verdadeiro início do projeto. A partir daí, com o apoio de funcionários e empresários locais, a iniciativa cresceu, abrangendo não apenas adolescentes da Casa da Criança, mas também jovens de famílias em vulnerabilidade social.
Projetos que Constroem o Futuro
Daniel Pereira da Silva enfatizou o crescimento do Projeto Casa ao longo dos anos, que chegou a atender 350 jovens anualmente antes da pandemia e agora está em fase de retomada com 150 participantes.
O Projeto Casa se estrutura em três programas principais:
- Cidadão do Futuro (12 a 14 anos): Com atividades socioeducativas diversificadas, que incluem acompanhamento psicológico, aulas de informática, atividades com técnicos agrícolas, assistência social, e recreação com dança e esportes. O objetivo é oferecer uma transição suave da infância para a adolescência, com uma rotina que evita a sobrecarga.
- Jovem Agricultor (14 a 18 anos): Focado na preparação de jovens para o mercado de trabalho no campo, uma área de grande demanda em Itapetininga, a terceira maior cidade do estado em extensão territorial. Daniel ressaltou a importância de resgatar o interesse dos jovens pela agricultura, mostrando que o campo oferece salários atrativos e exige mão de obra especializada. “A gente tem aluno lá que já se formou agrônomo, um ex-professor nosso lá, ele foi aluno e agora ele é professor e é veterinário”, exemplificou Daniel, ilustrando o potencial de transformação do programa.
- Jovem Aprendiz (15 a 23 anos e 11 meses): Este programa, que está sendo implantado, visa preparar os jovens para o mercado de trabalho através de parcerias com empresas. Atualmente, há 16 jovens atuando como estagiários em uma mini-granja parceira, recebendo meio salário e estudando em meio período. A parceria com grandes empresas do agronegócio, como Grupo Alvorada, JFI Silvicultura e Usina Vista Alegre, promete abrir novas portas para os participantes.
Histórias que Inspiram e Transformam
Sandra Mariano compartilhou uma emocionante história que exemplifica o poder da oportunidade. Uma adolescente, em um evento de agradecimento a empresários, emocionou um dos convidados com seu depoimento. O empresário pediu seu currículo e a jovem foi contratada por uma empresa renomada. “No final do ano passado ela estava de mudança para a Argentina para realizar o sonho dela de ser médica”, revelou Sandra, ressaltando como a oportunidade impulsionou a jovem a vôos ainda maiores.
A coordenadora enfatizou a importância de os adolescentes saberem “agarrar” as oportunidades e a necessidade de as empresas darem o primeiro emprego a esses jovens.
Parcerias Estratégicas para o Futuro
Daniel Pereira da Silva destacou a importância das parcerias com empresas, especialmente no programa Jovem Aprendiz.
Ele ressaltou que as empresas podem moldar esses jovens de acordo com suas necessidades específicas, preparando-os para o mercado de trabalho de forma personalizada.
“As empresas que quiserem podem ir lá conhecer in loco, almoçar conosco, ver como funciona. E aí a gente mostra como que pode ser feito”, convidou Daniel, reforçando o convite para que mais empresas se engajem com o Projeto Casa.
A parceria com o Sindicato Rural e o SENAR também é fundamental, trazendo cursos e capacitação que se alinham com a modernização do agronegócio.
Sandra pontuou que o setor exige mão de obra cada vez mais atualizada, e o Projeto Casa busca justamente preparar os jovens para essa realidade, inclusive com treinamentos que abordam a parte administrativa, além da agrícola.
Um Legado de Oportunidades
Tanto Daniel quanto Sandra fizeram questão de reconhecer o legado de Ruela, o fundador do projeto, que continua sendo um colaborador fundamental.
Para Daniel, o Projeto Casa é uma oportunidade de mostrar que Itapetininga tem um trabalho consolidado de apoio a jovens. “Ele está tanto tempo em Itapetininga e muita gente ainda não conhece ele”, lamentou.
Ao final, Sandra reforçou o apelo à colaboração, mencionando que o projeto também se beneficia de doações através do imposto de renda, além das verbas municipais.
A população e os empresários precisam conhecer de perto o trabalho transformador do Projeto Casa, que continua a mudar vidas e a construir um futuro promissor para os adolescentes de Itapetininga.


