Nova alíquota anunciada por Washington afeta máquinas agrícolas, calçados, açúcar e etanol; polos como Ribeirão Preto, Franca e Piracicaba avaliam impactos na competitividade e no emprego.
A recente confirmação pelo Governo dos Estados Unidos da sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros acende sinal de alerta na indústria e no agronegócio do Interior Paulista.
Anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) sob a justificativa de supostas falhas na fiscalização de cadeias com trabalho forçado, a medida substitui a taxa temporária de 10% e incide sobre uma lista diversa de mercadorias.
O grande gargalo para as exportações paulistas reside na cumulatividade: somada à tarifa de 25% que entrou em vigor no mesmo período, a carga tributária efetiva sobre determinados bens manufaturados e agroindustriais pode atingir até 37,5%.
Embora commodities estratégicas como suco de laranja, café em grão e carne bovina tenham permanecido isentas do pacote tarifário, importantes motores da economia do interior — como a fabricação de máquinas, o setor calçadista e a cadeia sucroenergética — passam a enfrentar fortes barreiras.
O Impacto por Polos Regionais
Polos Metalmecânico e de Máquinas Agrícolas (Ribeirão Preto, Sertãozinho e Piracicaba)
O interior paulista é referência global na produção de máquinas agrícolas, equipamentos industriais e tecnologia para o campo.
A incidência da alíquota adicionada torna o maquinário fabricado na região substancialmente mais caro para o produtor americano em relação a concorrentes da Europa ou do México.
A indústria de bens de capital do interior opera com margens ajustadas. Enfrentar uma tributação que pode chegar a 37,5% retira a competitividade do maquinário brasileiro nos EUA, que é um dos principais mercados pagadores de tecnologia agroindustrial.
Polo Calçadista (Franca)
Franca, reconhecida como a capital do calçado masculino e uma das maiores exportadoras do segmento no país, sentirá o impacto direto nas vendas de artefatos de couro. A nova alíquota atinge diretamente os calçados e artefatos de couro, forçando indústrias locais a renegociarem contratos de fornecimento com compradores norte-americanos para evitar o cancelamento de pedidos.
Cadeia Sucroenergética e Madeira (Piracicaba, Sorocaba e Rio Preto)
Embora a agricultura in natura de café e citros tenha sido preservada, o agronegócio de transformação não ficou ileso:
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Açúcar e Etanol: O açúcar e o etanol figuram entre os itens taxados. O etanol brasileiro já enfrentava barreiras de cota e agora perde tração nas vendas diretas para os EUA.
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Pneus, Papel e Madeira: Regiões com forte apelo florestal e industrial (como a região metropolitana de Sorocaba e o Vale do Paraíba) sofrem com taxas sobre pneus, derivados de madeira e papel.
Panorama dos Setores Afetados no Interior
| Setor Industrial / Agro | Principais Cidades Afetadas | Status Frente à Nova Tarifa |
| Máquinas & Equipamentos | Ribeirão Preto, Piracicaba, Sertãozinho | Atingido (tarifação sobre maquinário agrícola e peças) |
| Calçados & Couro | Franca, Birigui | Atingido (sobretaxa incide sobre calçados acabados) |
| Açúcar e Etanol | Piracicaba, São José do Rio Preto | Atingido (taxação sobre derivados sucroenergéticos) |
| Bens de Alumínio e Pneus | Sorocaba, Campinas, Jundiaí | Atingido (restruturação tarifária em autopeças e metais) |
| Café em Grão & Suco de Laranja | Franca, Araraquara, Citrus Belt | Isento (mantido na lista de exceções estratégicas) |
Desafios e Próximos Passos para o Empresariado Paulista
Representantes de entidades industriais e do agronegócio reforçam que o momento exige cautela diplomática e redirecionamento estratégico. Entre as alternativas em debate estão:
Intensificação da Diplomacia Comercial: Pressão junto ao Governo Federal (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) para contestar os fundamentos da Seção 301 nos fóruns internacionais.
Diversificação de Mercados: Redirecionamento do excedente exportável de máquinas e produtos manufaturados para países da América Latina, Ásia e Oriente Médio.
Revisão de Custos e Contratos: Absorção parcial de margens ou renegociação de fretes para amortecer o choque tarifário na chegada aos portos norte-americanos.
A expectativa do empresariado paulista é que negociações bilaterais nas próximas semanas consigam flexibilizar as exigências ou reclassificar itens da pauta exportadora do estado, reduzindo o risco de retração na produção e na oferta de empregos nas regiões do interior.
Matéria feita com ajuda do Gemini
Foto: www.kaboompics.com

