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Trens de dois andares estão revolucionando a eficiência do transporte ferroviário

Trens de dois andares estão revolucionando a eficiência do transporte ferroviário

Trens de dois andares estão revolucionando a eficiência do transporte ferroviário

Volume transportado registra alta de 10% no período, com o agronegócio entre as principais cargas

A operação de trens com dois contêineres empilhados, conhecida como double stack, movimentou 468,8 mil toneladas de produtos pela Brado Logística no primeiro semestre de 2026.

O volume representa uma alta de 10% em relação às 423 mil toneladas transportadas no mesmo período do ano passado.

A tecnologia é utilizada pela companhia em um corredor ferroviário de mais de 1,4 mil quilômetros entre Sumaré (SP) e Rondonópolis (MT), que atende cargas destinadas ao mercado interno e às atividades de importação e exportação.

Nos primeiros seis meses deste ano, os grãos especiais representaram 45% dos contêineres cheios transportados por meio do double stack.

Na sequência, aparecem os insumos agrícolas, com 12%, e a pluma de algodão e nutrição animal, com cerca de 9% de participação cada.

No consolidado de 2025, os trens double stack movimentaram 48,4 mil contêineres, que somaram 931,4 mil toneladas brutas, atendendo principalmente cadeias ligadas ao agronegócio.

O diferencial dessa sistematização está na configuração dupla dos vagões, que permitem transportar aproximadamente 40% a mais do que contêineres tradicionais.

Atualmente, são movimentados cerca de 4,1 mil contêineres double stacks por mês.

Para Laion Suprano, gerente do terminal da Brado em Sumaré, o aumento da movimentação pelo corredor evidencia a importância de uma operação capaz de acompanhar a escala das cargas que circulam entre Mato Grosso e São Paulo.

“Estamos falando de um corredor que conecta uma das principais regiões produtoras do país a uma estrutura logística que também dá acesso a outros mercados.

Conforme esses fluxos crescem, a capacidade de transportar mais contêineres por composição passa a ter um impacto direto na movimentação.

O double stack foi desenvolvido justamente para dar essa escala à operação e permitir que a ferrovia acompanhe o aumento dos volumes sem perder eficiência no uso do corredor”, afirma.

Companhia é pioneira na tecnologia em solo brasileiro

O projeto começou a ser estruturado em 2017, quando um grupo de engenheiros da companhia e fornecedores dos vagões foi aos Estados Unidos para conhecer operações que já utilizavam a tecnologia e entender como os equipamentos funcionavam. E, para ativar o double stack pela primeira vez em solo brasileiro, dois anos depois, a Brado precisou realizar uma série de adaptações na infraestrutura ferroviária e desenvolver soluções específicas para a circulação das composições.

“Não era apenas uma questão de adquirir os vagões. Para colocar esse sistema em funcionamento foi necessário entender toda a infraestrutura do corredor e desenvolver soluções específicas para garantir que o trem pudesse circular com segurança. Foram muitos testes, adaptações e treinamento até chegarmos ao modelo que temos hoje”, explica.

Na época, cerca de 60 pontos da ferrovia precisaram ser modificados. Entre as intervenções estavam o remanejamento de redes elétricas e de telefonia, a elevação de viadutos e o rebaixamento da linha férrea para permitir a passagem das composições, pois, quando carregado nessa configuração, o trem chega a 5,87 metros de altura.

A adoção do sistema também levou a mudanças na composição dos trens. Antes do double stack, a composição era formada por 58 vagões, com capacidade para 116 contêineres. Atualmente, são 65 vagões, que podem transportar até 130 contêineres em cada. Além das alterações na infraestrutura e na formação dos trens, a Brado desenvolveu soluções próprias para garantir a fixação das unidades durante o percurso. Foram criados dois sistemas de travamento, um destinado à segurança do contêiner posicionado no nível superior e outro responsável pela fixação entre as unidades empilhadas.

“Cada solução foi desenvolvida para uma função específica dentro da composição. O sistema do contêiner superior trabalha de uma forma diferente daquele que conecta as duas unidades, e essa combinação é o que permite manter os contêineres devidamente posicionados durante o transporte”, ressalta o gerente da Brado Logística.

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