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Usinas híbridas do interior paulista unem cana e milho para garantir produção de etanol no ano todo

Usinas híbridas do interior paulista unem cana e milho para garantir produção de etanol no ano todo

Usinas híbridas do interior paulista unem cana e milho para garantir produção de etanol no ano todo

A integração do milho no processamento sucroenergético do interior de São Paulo marca uma transformação estrutural na agroindústria paulista. Historicamente focadas no esmagamento exclusivo da cana-de-açúcar, diversas usinas estão adotando o modelo de plantas híbridas (ou flex). Esse arranjo industrial une a tradição canavieira à versatilidade do grão, garantindo eficiência operacional contínua durante a entressafra do setor sucroalcooleiro.

O Modelo Híbrido, Eficiência e Operação Continuada

O ciclo tradicional da cana-de-açúcar força as usinas paulistas a paralisarem suas atividades industriais durante os meses de entressafra (geralmente entre dezembro e março). As usinas híbridas solucionam essa ociosidade ao adaptar caldeiras, geradores de vapor e colunas de destilação para processar milho no período seco.

Principais Vantagens do Sistema Híbrido

Diluição de Custos Fixos: A operação no ciclo anual completo amortiza os investimentos industriais e reduz os custos de capital parado.

Geração de Coprodutos de Alto Valor: O processamento do milho resulta no DDGS (Dried Distillers Grains with Solubles),  um coproduto rico em proteínas destinado à nutrição animal (bovinos, suínos e aves), além da extração de óleo de milho de uso industrial e alimentar.

Aproveitamento da Biomassa Existente: As usinas utilizam o bagaço de cana estocado ou a palhada para gerar o vapor necessário na moagem e no cozimento do amido do milho.

De acordo com levantamentos da Fundação SEADE e órgãos do setor energéticobiocombustível, São Paulo lidera a capacidade de produção de etanol no Brasil, concentrando a infraestrutura sucroenergética em Regiões Administrativas estratégicas como Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Araçatuba e Bauru.

A expansão do biocombustível de milho no interior paulista intensifica a interiorização do desenvolvimento econômico. Dados de consultorias especializadas como a DataGro e a StoneX indicam que grandes investidores do setor destinam somas entre R$ 400 milhões e R$ 1,2 bilhão por unidade para adaptar usinas convencionais em unidades flex.

A Embrapa destaca que o avanço do etanol de milho impulsiona o fortalecimento da safrinha (2ª safra de milho) no estado e em regiões limítrofes.

A pesquisa da EMBRAPA tem atuado em duas frentes.

No Desenvolvimento de Híbridos de Milho, o cultivo com elevado teor de amido e adequados às condições paulistas.

E na Sustentabilidade do Solo,  a expansão do milho em sucessão com a soja e em rotação com áreas de reforma de canaviais melhora a qualidade do solo sem necessidade de abertura de novas áreas virgens.

Estudos do FGV Agro mostram que a integração do etanol de milho otimiza a Mudança de Uso da Terra (MUT). A substituição parcial de farelo de soja por DDGS na nutrição de bovinos libera hectares agrícolas para outras culturas ou reflorestamento, elevando os índices de sustentabilidade e os créditos de decarbonização.

A UNEM (União Nacional do Etanol de Milho) e a Abramilho apontam que o etanol do grão atinge marcos produtivos expressivos no Brasil, aproximando-se da marca de 20 bilhões de litros nos ciclos nacionais.

Para os produtores do interior paulista, a demanda industrial das usinas cria um preço regionalizado para o milho, reduzindo a dependência de fretes longos até os portos para exportação.

Perspectivas e Desafios para o Etanol de Milho

Transição Energética e Combustíveis do Futuro

O etanol de milho processado em matrizes com baixo carbono serve de base para o desenvolvimento do SAF (Sustainable Aviation Fuel o Combustível Sustentável de Aviação) e para a produção de hidrogênio verde.

Sinergia do DDGS com Pecuária Intensiva

O interior paulista possui expressiva atividade de confinamento bovino e avicultura, criando um mercado consumidor imediato para o DDGS gerado no processamento do grão.

Logística e Proximidade de Mercado

Em comparação com o Centro-Oeste, o estado de São Paulo conta com a vantagem logística de estar próximo dos maiores centros consumidores de combustível do país e da infraestrutura do Porto de Santos.

Desafios Estruturais

Gargalo de Biomassa: Diferentemente da cana, que gera seu próprio combustível (bagaço), o processamento do milho exige uma fonte externa de energia térmica e elétrica, como cavacos de madeira, eucalipto ou palhada.

Capacidade de Armazenamento: A viabilidade econômica depende de estruturas robustas de armazenagem de grãos para garantir o suprimento contínuo da usina ao longo dos 365 dias do ano.

Foto:Vadym Alyekseyenko

Autor

  • Edmundo Vasques Prestes Nogueira é jornalista e editor do Portal das Cidades. Formado na Faculdade de Comunicação Cásper Líbero, há mais de 35 anos trabalha nas áreas de redação e telejornalismo.

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