17 de setembro de 2026

Volta ao trabalho presencial afeta procura por imóveis no interior de São Paulo

Volta ao trabalho presencial afeta procura por imóveis no interior de São Paulo
Volta ao trabalho presencial afeta procura por imóveis no interior de São Paulo

Foto: Mario Amé

Após a explosão de demanda durante a pandemia, retração na procura por imóveis residenciais fora das metrópoles reflete o endurecimento das políticas corporativas de retorno aos escritórios e reconfigura o setor em São Paulo.

O movimento em direção ao interior de São Paulo, que impulsionou o mercado imobiliário regional entre 2020 e 2022, arrefeceu.

O avanço das políticas de retorno ao trabalho presencial e os modelos híbridos concentrados no ambiente corporativo provocaram uma reacomodação na dinâmica populacional e imobiliária do Estado. A busca por imóveis amplos e casas em condomínios fechados em cidades do interior paulista registra acomodação no volume de transações, enquanto a capital volta a centralizar o interesse dos compradores.

A virada de chave no modelo de trabalho

O avanço das exigências por presença física nas empresas é o principal catalisador dessa mudança de cenário. Levamento do DataZAP apontou que a proporção de trabalhadores atuando em regime exclusivamente presencial subiu de 52% em 2023 para cerca de 69%. Paralelamente, os arranjos 100% remotos caíram significativamente, consolidando-se como opção para apenas 12% do mercado de trabalho.

De acordo com sondagens da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), as empresas vêm reestruturando suas rotinas operacionais para priorizar a convivência física, limitando a flexibilidade geográfica que antes permitia aos colaboradores residirem a mais de 100 km das sedes corporativas. Esse movimento alterou diretamente a tomada de decisão das famílias em relação ao local de moradia.

Redirecionamento da demanda imobiliária

Os dados de pesquisas do Secovi-SP (Sindicato da Habitação) indicam que, se por um lado o interior paulista viveu um período atípico de valorização e comercialização aquecida, a capital retomou a liderança do volume de vendas. A busca por imóveis no interior passa por uma fase de normalização.

As características do imóvel procurado também mudaram. Pesquisas do portal DataZAP revelam que, ao buscarem novas moradias, 75% dos compradores agora priorizam a proximidade com grandes vias de acesso e mobilidade urbana. Além disso, 47% buscam a proximidade de pontos de ônibus e 23% valorizam estações de trem ou metrô — critérios operacionais de rotina que superam o interesse por metragens amplas afastadas dos grandes centros.

Dinâmica demográfica regional e os dados do SEADE

O acompanhamento demográfico e econômico realizado pela Fundação SEADE mostra que a movimentação populacional observada no auge do isolamento social não se consolidou como uma migração definitiva em massa para todas as faixas produtivas. Os indicadores estaduais sinalizam que o fluxo pendular — o deslocamento diário por motivos de trabalho — voltou a crescer acentuadamente nas regiões metropolitanas.

Embora polos regionais como Campinas, Sorocaba e São José dos Campos mantenham forte dinamismo próprio atraído por suas infraestruturas locais, o movimento de profissionais da capital em busca de casas de campo com escritório dedicado perdeu a tração.

“O mercado não vive uma crise no interior, mas sim uma acomodação de expectativas. O comprador que migrou de forma impulsiva buscando espaço agora confronta o custo diário do deslocamento. A demanda voltou a ser pautada pela necessidade real de logística e localização”, apontam analistas do setor imobiliário.

Com a consolidação do presencial, o mercado imobiliário paulista encerra o ciclo de expansão acelerada impulsionado pelo home office e entra em uma fase de estabilização, reposicionando a capital como o eixo central do desenvolvimento residencial e comercial do Estado.

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