14 de janeiro de 2026

Fotos: Aric Pazzini

Longe dos holofotes dos grandes centros, um movimento cultural genuíno floresce na Praça dos Amores.

Há nove anos, a Batalha do Senna se consolidou não apenas como um palco para rimas, mas como um espaço de resistência, aprendizado e transformação.

O movimento, que nasceu no ginásio Ayrton Senna, cresce no cenário local e se reafirma como uma voz autêntica para a juventude.

Fundada por Ulisses Andrade, o Bill, um dos pilares do movimento, a Batalha do Senna surgiu em 2016 com a missão de ir além da simples rima.

“A gente precisava trazer a essência do hip hop para dentro das batalhas”, explica Bill. Diferente de muitos eventos que focam apenas na competição, a Batalha do Senna integra os quatro elementos do hip hop: MC, DJ, grafite e break dance. A iniciativa busca conscientizar, e por isso, proíbe rimas preconceituosas, machistas e racistas.

Essa política de respeito não foi adotada sem desafios. No início, houve resistência de alguns jovens, mas a postura firme dos organizadores foi fundamental. “Não vamos aceitar rimas que ofendam”, afirma Bill.

Essa diretriz é fundamental para a segurança e o acolhimento de todos, incluindo a família dos participantes. A mãe de um dos MCs, por exemplo, viu na Batalha um ambiente seguro para o filho, e hoje, se tornou uma figura de apoio ao movimento. “Ela não tinha contato com o hip hop, mas viu que o rap deu a oportunidade de se tornar a nossa mãe da batalha”, revela Kaíne Melo.

Do Microfone à Consciência

A Batalha do Sena se estabelece como uma verdadeira escola de vida. Para muitos jovens da periferia, o palco é o lugar onde eles encontram sua voz e desenvolvem o senso crítico. “A gente não tá querendo doutrinar ninguém ali”, ressalta Bill. “A gente quer que o MC tenha um senso crítico mesmo, que ele se desenvolva e entenda o que é certo e o que é errado”. A rima se torna uma ferramenta para questionar a história e a realidade, fazendo com que os participantes busquem conhecimento para se destacarem.

Essa evolução não se limita à batalha.

O MC Cristian Koadi  relata como o movimento o ajudou a ter “desenvoltura até em outros fatores da vida”. Já o jovem Gabriel, conhecido como GB, é um exemplo vivo da transformação que a Batalha do Sena proporciona. Segundo Bill, a mãe de GB relata a melhora no comportamento e no desempenho escolar do filho, que se expressa de forma mais aberta e confiante.

Um Movimento que Resiste e Se Expande

A história da Batalha do Sena reflete a luta do hip hop por reconhecimento. Nascida no ginásio Ayrton Senna, o movimento foi levado para o centro da cidade como forma de protesto e ocupação cultural, desafiando a marginalização imposta à cultura de rua.

O sucesso foi tanto que, em 2017, a Batalha do Sena chegou a lotar a Praça dos Amores, atraindo MCs de renome nacional.

Hoje, o evento faz parte do Circuito Paulista de Batalhas de MCs (CPBMC), fortalecendo sua relevância no cenário estadual. Os MCs Koadi e Kaíne representam Itapetininga em uma competição que pode levá-los a disputar o título de melhor do Brasil, com um prêmio de R$ 30 mil.

A Batalha do Senna é um convite aberto a todos para conhecer e valorizar a cultura local. Com eventos todos os sábados, o movimento mostra que a periferia tem voz, talento e uma mensagem profunda de respeito e união.

Veja a entrevista sobre a Batalha do Senna.

 

Autor

Por Portal das Cidades

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