A Estância Célia, uma fazenda em Itapetininga, conquistou o primeiro lugar, na região Sudeste, do Desafio Nacional de Máxima Produtividade da Soja.
A fazenda, do produtor Hiroyuki Oi, conseguiu a marca de 119,5 sacas por hectare, alcançada na safra 2024/2025.
Hiroyuki ressalta a importância da alta produtividade em um cenário de margens cada vez mais estreitas para o produtor rural.
Tecnologia e planejamento: a receita do sucesso
A vitória no Desafio Nacional não foi obra do acaso. Hiroyuki destaca que o resultado é fruto de um trabalho de 34 anos de dedicação à agronomia.
A fazenda adota o plantio direto há 27 anos, uma técnica que, além de conservar o solo, proporciona uma economia significativa.
O planejamento também é um pilar fundamental da gestão. A fazenda trabalha com um cronograma detalhado, com todo o operacional e os insumos programados com antecedência. A mudança de uma abordagem reativa para uma proativa, com um portfólio completo de defensivos e agroquímicos, tem sido crucial para a eficiência das operações.
Além disso, a Estância Célia investe em tecnologia de ponta. Todas as máquinas agrícolas são equipadas com telemetria e piloto automático, garantindo precisão e assertividade. O produtor também ressalta a importância de uma equipe de alta qualidade, que opera e cuida de todas as etapas do processo.
O futuro da agricultura: biologia e conhecimento
O produtor Hiroyuki Oi acredita que o futuro da agricultura será impulsionado pela biologia e pelo conhecimento do solo. Ele aponta para a análise metagenômica do solo como uma das próximas fronteiras da agricultura, uma ferramenta que permitirá aos produtores entender a biologia do solo em profundidade, otimizando o uso de fertilizantes e aumentando a produtividade. A tendência, segundo ele, é a substituição progressiva de produtos químicos por soluções orgânicas e biológicas.
“Em poucos anos, nós produtores usaremos mais produtos de origem orgânica e biológica do que química”, afirma.
O cenário competitivo e os desafios da cadeia produtiva
O produtor também destaca que o Brasil tem uma vocação agrícola inegável e uma capacidade de produção de grãos e carne incomparável. No entanto, ele também aponta para os gargalos que precisam ser superados para que o país possa competir de forma ainda mais eficiente no cenário internacional.
Hiroyuki cita a necessidade de melhorias em áreas como logística, armazenamento, financiamento, qualificação de mão de obra e infraestrutura. A integração de tecnologia, como inteligência artificial embarcada em máquinas, também demanda profissionais capacitados para operá-las.
“Nós temos que conectar aí questão de logística, de armazenamento, de financiamento, de crédito, de mão de obra e qualificação de mão de obra”, pontua.
Incentivos para pequenos e médios produtores em Itapetininga
Sobre os pequenos e médios produtores de Itapetininga, Oi defende o cooperativismo como uma solução estratégica. Ele acredita que o modelo de cooperativas focado em culturas específicas, como grãos ou hortaliças, pode oferecer o suporte tecnológico e comercial que os produtores solitários não conseguem obter.
Hiroyuki ressalta que o produtor precisa focar em agregar valor ao seu produto, seja por meio de melhor qualidade, embalagem diferenciada ou processamento.
A proximidade de Itapetininga com a Grande São Paulo, um dos maiores mercados consumidores do mundo, é uma oportunidade a ser explorada.
Para ele, as cooperativas podem atuar como uma “locomotiva tecnológica”, prospectando novos mercados, fomentando a pesquisa e o desenvolvimento, e organizando as cadeias de produção para atender às exigências do mercado, como a constância e o padrão de qualidade. Essa união é vista como o caminho para fortalecer a agricultura local e garantir a competitividade dos produtores em um mercado cada vez mais exigente.
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