O que começou como um curso de biojoias no distrito de Gramadinho, floresceu e se transformou em algo muito maior: o coletivo de mulheres empreendedoras Joias do Gramadinho.
Longe de ser apenas um grupo de artesãs, a iniciativa é uma verdadeira celebração da comunidade e da sustentabilidade, onde as belezas naturais do bairro são transformadas em peças únicas e cheias de história.
A artesã e idealizadora do projeto, Joana Darc Vittorelli Pires, conta que a ideia surgiu após um curso de biojoias oferecido pelo Sindicato Rural de Itapetininga e o Fundo Social de Solidariedade. “Eu olhei e pensei: ‘Puxa, ficou um trabalho tão bonito, por que não empreender em cima disso?'”, relembra Joana.
A partir daí, ela reuniu outras 12 a 15 mulheres do distrito, e a ideia foi prontamente abraçada.
Hoje, o coletivo se dedica a produzir biojoias utilizando sementes, cascas e folhas colhidas na própria região.
A artesã Ione Berta explica que o processo é minucioso e exige paciência. “Primeiramente, a gente faz a colheita dessas peças. Não são tão fáceis de adquirir. Depois, a gente passa elas por um tratamento. Nós temos que deixar secar as sementes, depois a gente fura, lixa, póli, hidrata. É um trabalho longo”, detalha.
Da natureza à peça única
O nome biojoia não é por acaso. As peças são feitas com materiais naturais como o guapuruvu, a mucuna preta e o olho de cabra. A pérola negra, uma semente nativa de Itapetininga, é um dos destaques, coletada e trabalhada pelas próprias artesãs.
O coletivo valoriza a unicidade de cada peça, algo inerente ao trabalho manual.
“Por mais que você use as mesmas sementes, o resultado é sempre diferente. São peças únicas”, afirma Joana.
Mais do que apenas um empreendimento, as Jóias do Gramadinho se tornaram um pilar de empoderamento e colaboração. O coletivo, que também realiza “trocas de saberes”, permite que as mulheres compartilhem suas habilidades.
Uma ensina crochê, enquanto outra ensina a fazer tapetes de tecelagem, como a Dona Maria, de 86 anos. O objetivo é que uma ajude a outra a crescer, fortalecendo a comunidade.
“A gente acredita que não se faz nada sozinho. O sonho é junto. É um lugar onde um ajuda o outro para o outro crescer junto”, enfatiza Joana.
Um futuro feito de cooperação
Recentemente, a iniciativa deu um grande passo: com o apoio do Sindicato Rural, o coletivo ganhou um espaço para expor e vender suas peças no distrito. Esse ponto de vendas, que funcionará na sala cedida pela prefeitura, dará autonomia financeira às artesãs. Toda a renda de uma peça vendida vai diretamente para a criadora, sem intermediários.
O trabalho do grupo já extrapolou os limites do distrito. Uma de suas peças foi usada pelo ator principal no curta-metragem “O Resgate da Lenda”, uma produção local.
“É muito gratificante. Uma valoriza a outra, e isso faz com que a gente se sinta capaz e desafiada a ser melhor”, diz Joana.
Ione Berta, que se mudou de São Paulo para Itapetininga, considera a mudança um ganho de qualidade de vida. “Olha a paz que eu tenho aqui. Não troco mais aqui por lugar nenhum”, declara.
Com uma visão de futuro, o coletivo planeja transformar a base de uma árvore do bairro em um ponto turístico, revestindo-a com crochê feito pelas artesãs. É a prova de que as Joias do Gramadinho estão apenas começando a brilhar.
Para conhecer mais sobre o coletivo e suas peças, siga o perfil @as_joias_do_gramadinho
no Instagram.
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