15 de janeiro de 2026

Ouvimos frequentemente sobre o papel das universidades no ensino e na formação de novos profissionais. No entanto, muitas pessoas desconhecem que inúmeros projetos geram desenvolvimento econômico e melhoria da qualidade de vida , vindos da pesquisa acadêmica.

Conversamos com o professor universitário Felipe Hansted e a pesquisadora Maria Cecília Veloso para entender como as universidades, por meio da tríade de ensino, pesquisa e extensão, se conectam com a sociedade e geram benefícios reais.

Inovação Tecnológica e o Sentido de Comunidade

Felipe Hansted, que foi coordenador do Laboratório da Universidade Memorial de Newfoundland, no Canadá, destaca a importância da universidade como um “membro ativo da sociedade”.

Ele ressalta que a pesquisa não deve ser vista como algo distante, “num pedestal”, mas sim como parte integrante da comunidade. Um exemplo é o projeto do professor Carlinhos Santos, do Instituto Federal de São Paulo (campus Itapetininga), que desenvolve uma cadeira de rodas controlada por movimentos da cabeça.

Esse tipo de iniciativa, que pode baratear a tecnologia e beneficiar muitas pessoas, começa com um trabalho acadêmico. Essa visão de proximidade entre a academia e a comunidade é fundamental. Hansted conta que no Canadá, o laboratório que ele coordenava estava aberto para qualquer pessoa, não apenas para alunos e pesquisadores.

“A gente recebia de um aluno que estava fazendo pesquisa para o mestrado dele até uma senhorinha que queria aprender a desenhar em 3D para fazer um modelo para ela fazer colcha de retalho”, conta. Essa diversidade mostra como a universidade pode e deve ser um espaço de colaboração e desenvolvimento para todos.

Pesquisa e Sustentabilidade: Transformando Resíduos em Riqueza

Maria Cecília Veloso, engenheira ambiental e pesquisadora, explica que a universidade é o berço de inovações que chegam à sociedade.

Em sua carreira, ela se dedicou a pesquisas com resíduos sólidos para transformá-los em novos materiais e até mesmo em energia. Essa abordagem está alinhada com o conceito de pilares da sustentabilidade moderna, que o professor Felipe Hunsted também aborda: a sustentabilidade não se resume apenas a cuidar do meio ambiente, mas também a gerar desenvolvimento social e econômico. Um dos campos mais promissores da pesquisa em sustentabilidade é a transição energética, tema central do trabalho de Maria Cecília.

A busca por alternativas ao petróleo e seus derivados, por meio da utilização de biomassa – qualquer material de origem orgânica, como restos de cana-de-açúcar, resíduos agrícolas e florestais – é uma realidade global. Essas pesquisas não apenas mitigam problemas ambientais causados por resíduos, mas também impulsionam a economia, gerando novos produtos e empregos.

Felipe Hansted também se dedicou a esse campo, utilizando a cinza gerada pela queima da biomassa para produzir cimento e até mesmo como material para resinas de impressão 3D, diminuindo os custos dessa tecnologia. Essas pesquisas mostram como um único subproduto pode ter diversas aplicações benéficas, o que demonstra a importância da pesquisa brasileira.

Um exemplo disso é o trabalho da pesquisadora Mariângela Hungria, de Itapetininga, que desenvolveu uma pesquisa na Embrapa para fertilizar o solo com microrganismos, gerando uma economia bilionária para o setor da soja no Brasil.

O Brasil na Vanguarda da Pesquisa Internacional

Tanto Felipe quanto Maria Cecília destacam que a pesquisa brasileira tem o mesmo nível e potencial de países desenvolvidos. A principal diferença, segundo eles, está no investimento e no entendimento da universidade como um membro ativo da sociedade. A participação de pesquisadores brasileiros em eventos internacionais, como a “Biomass and Bioenergy Conference” em Sorocaba, reforça o papel do país na vanguarda da ciência. O evento, que contará com palestrantes e alunos de universidades do Canadá e Estados Unidos, serve como uma plataforma para troca de conhecimento e networking.

É uma oportunidade de mostrar o que o Brasil está fazendo de inovador e, ao mesmo tempo, aprender com as tendências e pesquisas do exterior. A troca de informações em um evento como esse impulsiona ainda mais a pesquisa e o desenvolvimento em nível global. As universidades brasileiras, com seus pesquisadores e projetos inovadores, são centros de transformação que geram riqueza, resolvem problemas sociais e ambientais e colocam o Brasil em destaque no cenário científico internacional.

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Por Portal das Cidades

O Portal das Cidades é um site de entrevistas e notícias da região de Itapetininga, num novo formato interativo com as plataformas digitais.

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