A chegada de centros logísticos de grandes plataformas digitais transformou o mapa econômico de regiões como Campinas, Sorocaba, Vale do Paraíba e Ribeirão Preto.
Rodovias como Anhanguera, Bandeirantes e Castelo Branco serviram de base para condomínios logísticos de distribuição de produtos.
Por um lado o resultado é a atração de investimentos com novos empregos operacionais.
Por outro, um grande aumento da pressão competitiva sobre os estabelecimentos físicos tradicionais.
A descentralização dos estoques foi a principal resposta do e-commerce às exigências de consumo do público pós-pandemia.
Instalar Centros de Distribuição (CDs) no interior reduz vertiginosamente os tempos de trânsito. Com a presença de galpões em eixos estratégicos, o cliente do interior paulista passou a receber encomendas no mesmo dia ou em até 24 horas.
Em contrapartida as perdas de empregos no comércio, a construção e a operação dos galpões logísticos impulsionaram a criação de novos postos de trabalho.
De acordo com levantamentos baseados em dados do Ministério do Trabalho e do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados )as regiões metropolitanas do interior viram uma alta em vagas para operadores logísticos, ajudantes de carga, conferentes e motoristas de frota. Nas cidades de pequeno e médio porte houve uma multiplicação de trabalhadores de entregas.
O Contraponto no Comércio Tradicional
Se a cadeia de suprimentos celebra a eficiência, entidades representativas do setor comercial acendem o alerta para os impactos na “loja de rua” e no comércio de bairro.
Dados acompanhados pela FecomercioSP e sindicatos patronais do comércio indicam que a concorrência direta com as vendas digitais obriga os comerciantes locais a reverem suas estratégias. A perda de fluxo nas regiões centrais e nos corredores comerciais urbanos levou muitas pequenas e médias empresas a operarem com margens operacionais bem menores, a ponto de inviabilizar a continuidade de muitos negócios.
O fenômeno não representa o fim da loja física, mas sim uma exigência profunda de adaptação.
As empresas do comércio tradicional que conseguem sobreviver com maior taxa de sucesso são as que integram o atendimento presencial com presença digital (redes sociais, WhatsApp Business e vendas via marketplaces locais).
Enquanto o e-commerce vence pela conveniência e preço, o comércio de rua do interior tem buscado se redefinir como um espaço de experiência, personalização no atendimento e serviços agregados ao consumidor.
A consolidação de galpões no interior paulista alterou definitivamente a dinâmica da economia e do comércio local. O novo normal agora é conviver com o desafio de aproveitar as novas oportunidades e redefinir o antigo modelo de negócios.
Foto: Mochammad Algi

