Foto: André Oliveira / MDS
O interior de São Paulo, historicamente associado às grandes extensões de monocultura e ao agronegócio de exportação, vive uma transformação silenciosa, mas robusta, capitaneada pelo fortalecimento da agricultura familiar. Por meio de um volume recorde de investimentos do Governo Federal, pequenos produtores, assentados da reforma agrária e cooperativas paulistas estão ganhando fôlego para modernizar a produção, abastecer as cidades e garantir a segurança alimentar na mesa dos brasileiros.
O grande motor dessa transformação é o Plano Safra da Agricultura Familiar, que destinou o montante histórico de R$ 89 bilhões para o setor no país, sendo R$ 78,2 bilhões operados via Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). O impacto dessas linhas de crédito reverbera diretamente nas regiões de Ribeirão Preto, Sorocaba, Vale do Paraíba e no Pontal do Paranapanema, onde o cooperativismo tem se mostrado o caminho para agregar valor aos produtos da terra.
Juros baixos para quem produz alimento de verdade
Uma das principais barreiras para o pequeno agricultor sempre foi o custo do dinheiro. Para reverter esse cenário, a atual política do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) fixou taxas de juros altamente subsidiadas, que funcionam como um incentivo direto à produção de alimentos essenciais para a cesta básica.
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Taxa de 3% ao ano: Destinada ao custeio de alimentos essenciais como arroz, feijão, mandioca, hortifrutis, ovos e leite.
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Taxa de 2% ao ano: Juros ainda menores para os produtores que optarem pelo cultivo orgânico ou focado na transição agroecológica.
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Pronaf Mais Alimentos: O limite para a compra de máquinas e equipamentos menores foi ampliado de R$ 50 mil para R$ 100 mil, com taxa de juros de apenas 2,5%, facilitando a mecanização dos pequenos sítios no interior paulista.
De acordo com dados divulgados pelo governo, as regiões Sul e Sudeste concentram quase 70% das operações de crédito do Pronaf. Em São Paulo, esse acesso tem desmistificado a ideia de que o estado vive apenas da cana-de-açúcar e das grandes plantações de soja.
Investimento pesado na cadeia do leite e agroindústria
Além do crédito de custeio geral, o Governo Federal anunciou um pacote robusto de R$ 465 milhões em investimentos específicos para a cadeia leiteira produzida pela agricultura familiar, inserido em um plano macro de mais de R$ 909 milhões que também engloba ações de reforma agrária.
O foco central deste investimento é o estímulo ao associativismo e à agroindustrialização. O objetivo é fazer com que o pequeno produtor do interior de São Paulo não venda apenas a matéria-prima bruta, mas consiga processá-la. Durante anúncios oficiais, o Governo Federal reforçou o papel de cooperativas de laticínios que, com o apoio federal, passam a fabricar queijos finos, iogurtes, manteiga e até estruturas para a produção de leite em pó, agregando valor e retendo a riqueza econômica nos municípios do interior.
“A importância da agroindústria é que ela agrega valor. É pegar um produto da terra e fazer manufatura. Aqui ficam duas lições: a do associativismo e a do cooperativismo.” — Declaração oficial da Presidência da República em agendas de fortalecimento do setor.
O ciclo virtuoso com as Compras Públicas
Os investimentos federais ganham tração quando combinados com as redes de comercialização garantidas pelo Estado. A sinergia entre os repasses do Governo Federal e a execução de programas estaduais — como o Programa Paulista da Agricultura de Interesse Social (PPAIS) — tem garantido mercado certo para os produtores.
O PPAIS atingiu o recorde de R$ 50,5 milhões em compras públicas. Alimentos produzidos no interior paulista — como hortifrutis, leite e café — saem direto das mãos das famílias agricultoras para abastecer escolas, universidades públicas e unidades prisionais.
Desafios para o futuro: Menos burocracia
Apesar do cenário de otimismo e do volume recorde de recursos disponíveis, produtores locais e especialistas apontam que o próximo passo crucial é a desburocracia. Como os agentes financeiros tradicionais estão muito habituados a analisar projetos voltados para commodities, pequenos produtores que possuem sistemas diversificados ou agroflorestais ainda enfrentam barreiras técnicas para acessar o crédito. O Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) e o suporte da assistência técnica pública têm sido as principais ferramentas para simplificar e universalizar o acesso a esses milhões de reais que estão mudando a cara do campo em São Paulo.
Matéria feita com ajuda do Gemini

