O temporal desta quarta-feira, 14/10, fez o lago do Parque Ibirapuera transbordar.
A água alagou a pista de cooper e derrubou uma das grades do parque.
Segundo a concessionária Urbia, foram registrados 97 milímetros de chuva em menos de uma hora.
No mesmo fim de tarde, o túnel do Anhangabaú ficou inundado, com carros submersos, e a estação Liberdade do metrô foi tomada pela água. Na Avenida 23 de Maio, perto do parque, motoristas ficaram presos em meio à inundação.
Os alagamentos repetem um padrão conhecido. Em grande parte da cidade, ruas, calçadas e construções cobrem praticamente todo o solo.
A chuva não tem onde infiltrar, corre pela superfície e se acumula nos pontos mais baixos em poucos minutos.
Por isso as áreas verdes que ainda restam, como parques, praças e bairros arborizados, deixaram de ser apenas paisagem. São parte da infraestrutura que protege a cidade nas chuvas.
Os Jardins estão entre essas áreas.
O bairro foi tombado como patrimônio ambiental e urbanístico, e seus quintais, praças e ruas arborizadas mantêm uma porção de solo permeável que já não existe na maior parte da cidade.
Para a Associação dos Moradores dos Jardins, a AME Jardins, preservar esse perfil é uma questão de interesse público.
“Preservar o verde e manter a permeabilização não é um interesse apenas dos moradores do bairro. É um interesse da cidade. A resposta aos alagamentos não pode ser construir mais e impermeabilizar mais. Precisamos manter e ampliar as áreas que absorvem a água, e não reduzi-las”, afirma Fred Affonso Ferreira, presidente da Associação dos Moradores dos Jardins, a AME Jardins.
A AME Jardins atua na conservação das áreas verdes da região e cobra do poder público medidas de prevenção. Em 2025, levou à Subprefeitura de Pinheiros pedidos de instalação de jardins de chuva, manutenção de praças e plantio de árvores. Também intermediou a limpeza de bueiros na Praça Gastão Vidigal, depois que um morador alertou para obstruções que impediam o escoamento da água.
“Prevenção se faz no dia a dia. Um bueiro entupido ou uma praça abandonada fazem diferença quando chega um temporal como o de quarta-feira. As associações de moradores conhecem o bairro de perto e podem ajudar o poder público a agir antes do problema”, completa o presidente.
AME JARDINS
A AME Jardins é uma associação de moradores criada em 2007 por pessoas que vivem e trabalham nos bairros dos Jardins América, Europa, Paulista e Paulistano. A organização é financiada pelos próprios moradores e empreendedores da região que se uniram para fazer a ponte entre a comunidade e o poder público, ajudando a tomar decisões e agir na região em prol do bem-estar da população, quando necessário.
Foto: JESUS ADRIÁN SAAVEDRA
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