A Casa da Cultura de Itapetininga se tornou palco de uma celebração da história e da força feminina da cidade, com a exposição “Retratos da Arte: Celebrando as Mulheres de Itapetininga”.
A mostra, idealizada e pintada pela artista Beatriz Cecília Juventino, é um resgate visual e histórico de sete mulheres que marcaram a cidade, muitas vezes, de forma silenciosa ou esquecida.
Segundo a advogada e artista visual Beatriz Cecília, a ideia da exposição surgiu a partir de um edital do PNAD (Política Nacional Aldir Blanc), um incentivo do governo federal para os artistas.
A inspiração veio da observação das estátuas de cobre pela cidade.
“Eu comecei a andar pela cidade e ver as estátuas. Pensei, são 14 homens e uma mulher, cadê o restante da mulherada?”, comenta.
Essa inquietude a levou a uma pesquisa aprofundada, onde abordou pessoas na rua com uma pergunta simples: “Me fala uma mulher que você admira em Itapetininga”.
O resultado foi a descoberta de mais de 60 nomes e histórias, culminando na escolha de sete mulheres notáveis, mas pouco conhecidas do grande público.
A artista explica que a intenção foi justamente dar visibilidade a essas figuras.
A pincelada de cor na rotina de preto e branco
A exposição é um reflexo do universo criativo de Beatriz, que concilia a rigidez da advocacia com a liberdade da arte.
“A área jurídica exige terno, fórum, preto e branco, cores mais neutras.
Fui enrijecendo e, quando chego em casa, tiro a roupa preta e branca, coloco uma roupa colorida, pego meus pincéis e falo: ‘Preciso de cor'”, relata a artista.
Essa busca por cor e expressão se traduz nos sete quadros pintados à mão, em tinta acrílica.
Eles não são retratos fiéis, mas sim interpretações artísticas, cheias de pinceladas e cores vivas.
Beatriz explica que cada tela tem um propósito, usando, por exemplo, lilás e azul para representar a educação no quadro da professora Cecília Pimentel, ou o verde, para a ambientalista Regina Freire.
A artista também produziu workshops amadores e os postou nas redes sociais do projeto, ensinando técnicas como preparo de tela, composição e escolha de cores.
O processo de criação e pesquisa durou sete longos meses e consumiu “muita tinta”, diz Beatriz.
Resgatando e valorizando a história feminina
Beatriz destaca a importância da exposição para Itapetininga, uma cidade que ainda precisa ter maior reconhecimento das mulheres que fizeram e fazem a história local.
Duas descobertas surpreenderam a artista durante a pesquisa.
A primeira foi a pintora Maria Prestes, uma figura de grande relevância no cenário da pintura nacional, mas cuja história é o fuscada pela fama da família.
A segunda foi a ambientalista Regina Freire, da qual não existia uma foto conhecida publicamente para servir de base para a pintura.
Com a ajuda da Secretaria da Cultura, a imagem foi encontrada, permitindo que a história da ativista fosse resgatada e valorizada.
Um futuro colorido para a arte e as mulheres de Itapetininga
“Eu espero que a exposição seja o primeiro de muitos passos para a valorização das mulheres da cidade”, afirma Beatriz, reforçando que o projeto “Retratos da Arte” não vai parar.
A intenção é continuar a cada ano, trazendo algo novo, seja um livro ou outra exposição.
A artista também ressalta a importância de leis de incentivo como o PNAD (Política Nacional Aldir Blanc), que tornam projetos culturais como esse uma realidade.
Ao final da entrevista, Beatriz deixou uma mensagem inspiradora para as mulheres de Itapetininga.
“Não parem o que vocês estão fazendo. Tem gente observando e admirando, porque a gente precisa desse movimento.
No futuro, vou atrás de novo de cada uma delas e vou fazer uma parte dois, uma parte três, uma parte cinco. Eu quero mostrar a história de todas as mulheres de Itapetininga para o mundo inteiro.”
A exposição “Retratos da Arte” permanece na Casa da Cultura até dia 29 de agosto e retorna nos dias 11 e 12 de setembro.
Veja a entrevista completa


