17 de junho de 2026

IFSP de Itapetininga desenvolve cadeira de rodas controlada por movimentos da cabeça

Uma inovação promissora está em desenvolvimento no Instituto Federal de São Paulo (IFSP), campus de Itapetininga.

O projeto, liderado pelos professores Carlos Henrique Santos e Wilton Ferraz, e com a participação voluntária de alunos, busca criar uma cadeira de rodas que pode ser controlada por meio de movimentos da cabeça.

A tecnologia, que utiliza o reconhecimento facial de um smartphone ou tablet, promete ser uma alternativa de baixo custo, democratizando o acesso a equipamentos de mobilidade assistida.

A iniciativa nasceu em 2017, após uma conversa entre os professores Carlos e Flávio, que buscavam desenvolver um projeto com aplicação prática para a sociedade. A inspiração veio de uma visita à APAE, onde identificaram a necessidade de soluções para pessoas com limitações psicomotoras.

Wilton Ferraz e Carlos Henrique Santos, professores do IFSP de Itapetininga

O primeiro fruto desse trabalho foi um software para tablets que sintetiza a voz a partir do texto, beneficiando pessoas com dificuldades de fala.

Com a base tecnológica desse projeto, a equipe vislumbrou a possibilidade de adaptá-la para o controle de cadeiras de rodas.

Tecnologia acessível e colaborativa

O protótipo atual já permite o movimento de frente e para trás, com base na inclinação da cabeça do usuário.

O estudante Gustavo Cardilho, que participa do projeto desde o início, explica que a equipe focou em tecnologias de código aberto e de baixo custo.

Gustavo Cardilho, aluno voluntário do projeto

O objetivo é que o projeto final seja disponibilizado gratuitamente para a comunidade, permitindo que as próprias pessoas ou empresas especializadas possam montar e adaptar o sistema.

O professor Wilton Ferraz, responsável pelo laboratório Maker do IFSP, ressalta que essa abordagem se alinha à filosofia do “faça você mesmo”. “Nosso objetivo final é que as pessoas tenham acesso a um projeto que elas mesmas consigam montar com um custo muito mais baixo”, afirma. Ele destaca que, enquanto uma cadeira de rodas automatizada com joystick pode custar R$ 20 a 30 mil no mercado, a solução proposta pelo IFSP, acoplada a uma cadeira convencional de R$ 500, adicionaria um custo de cerca de R$ 1.500 em materiais, tornando o equipamento acessível.

O papel da universidade pública e o futuro do projeto

O professor Carlos Henrique Santos reforça a importância da universidade pública no desenvolvimento de soluções para a sociedade. Ele destaca que o projeto da cadeira de rodas é um exemplo de pesquisa aplicada, que não só beneficia a comunidade, mas também enriquece a formação dos alunos. A colaboração de professores de diferentes áreas, como Informática e Engenharia Mecânica, é fundamental para o sucesso da iniciativa.

A equipe, que já recebeu verbas de emendas parlamentares dos deputados federais Tabata Amaral, Victor Lippi e Adriana Ventura, busca novos investimentos para aprimorar o protótipo. O próximo passo é refinar o software para que o controle seja mais rápido e intuitivo, além de melhorar a ergonomia e a parte mecânica do equipamento.

O projeto é visto como um catalisador para a inovação e o empreendedorismo na região de Itapetininga. “A gente gera um círculo virtuoso, onde a educação pública gratuita e de qualidade gera riqueza e emprego”, explica o professor Carlos. A intenção de disponibilizar o projeto abertamente pode incentivar a criação de pequenas empresas especializadas na adaptação dessas cadeiras, gerando renda e empregos locais.

O professor Wilton conclui que a missão do IFSP vai além do ensino, buscando resolver problemas do cotidiano e transformar a região. “Itapetininga merece começar a se tornar uma grande economia na área tecnológica”, diz ele, reforçando o convite para que a comunidade, empresas e parlamentares conheçam e apóiem os projetos inovadores do instituto.

Veja a entrevista completa.

Autor

  • Portal das Cidades - Edmundo Vasques Prestes Nogueira

    Edmundo Vasques Prestes Nogueira é jornalista e editor do Portal das Cidades. Formado na Faculdade de Comunicação Cásper Líbero, há mais de 35 anos trabalha nas áreas de redação e telejornalismo.

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