Uma inovação promissora está em desenvolvimento no Instituto Federal de São Paulo (IFSP), campus de Itapetininga.
O projeto, liderado pelos professores Carlos Henrique Santos e Wilton Ferraz, e com a participação voluntária de alunos, busca criar uma cadeira de rodas que pode ser controlada por meio de movimentos da cabeça.
A tecnologia, que utiliza o reconhecimento facial de um smartphone ou tablet, promete ser uma alternativa de baixo custo, democratizando o acesso a equipamentos de mobilidade assistida.
A iniciativa nasceu em 2017, após uma conversa entre os professores Carlos e Flávio, que buscavam desenvolver um projeto com aplicação prática para a sociedade. A inspiração veio de uma visita à APAE, onde identificaram a necessidade de soluções para pessoas com limitações psicomotoras.

O primeiro fruto desse trabalho foi um software para tablets que sintetiza a voz a partir do texto, beneficiando pessoas com dificuldades de fala.
Com a base tecnológica desse projeto, a equipe vislumbrou a possibilidade de adaptá-la para o controle de cadeiras de rodas.
Tecnologia acessível e colaborativa
O protótipo atual já permite o movimento de frente e para trás, com base na inclinação da cabeça do usuário.
O estudante Gustavo Cardilho, que participa do projeto desde o início, explica que a equipe focou em tecnologias de código aberto e de baixo custo.

O objetivo é que o projeto final seja disponibilizado gratuitamente para a comunidade, permitindo que as próprias pessoas ou empresas especializadas possam montar e adaptar o sistema.
O professor Wilton Ferraz, responsável pelo laboratório Maker do IFSP, ressalta que essa abordagem se alinha à filosofia do “faça você mesmo”. “Nosso objetivo final é que as pessoas tenham acesso a um projeto que elas mesmas consigam montar com um custo muito mais baixo”, afirma. Ele destaca que, enquanto uma cadeira de rodas automatizada com joystick pode custar R$ 20 a 30 mil no mercado, a solução proposta pelo IFSP, acoplada a uma cadeira convencional de R$ 500, adicionaria um custo de cerca de R$ 1.500 em materiais, tornando o equipamento acessível.
O papel da universidade pública e o futuro do projeto
O professor Carlos Henrique Santos reforça a importância da universidade pública no desenvolvimento de soluções para a sociedade. Ele destaca que o projeto da cadeira de rodas é um exemplo de pesquisa aplicada, que não só beneficia a comunidade, mas também enriquece a formação dos alunos. A colaboração de professores de diferentes áreas, como Informática e Engenharia Mecânica, é fundamental para o sucesso da iniciativa.
A equipe, que já recebeu verbas de emendas parlamentares dos deputados federais Tabata Amaral, Victor Lippi e Adriana Ventura, busca novos investimentos para aprimorar o protótipo. O próximo passo é refinar o software para que o controle seja mais rápido e intuitivo, além de melhorar a ergonomia e a parte mecânica do equipamento.
O projeto é visto como um catalisador para a inovação e o empreendedorismo na região de Itapetininga. “A gente gera um círculo virtuoso, onde a educação pública gratuita e de qualidade gera riqueza e emprego”, explica o professor Carlos. A intenção de disponibilizar o projeto abertamente pode incentivar a criação de pequenas empresas especializadas na adaptação dessas cadeiras, gerando renda e empregos locais.
O professor Wilton conclui que a missão do IFSP vai além do ensino, buscando resolver problemas do cotidiano e transformar a região. “Itapetininga merece começar a se tornar uma grande economia na área tecnológica”, diz ele, reforçando o convite para que a comunidade, empresas e parlamentares conheçam e apóiem os projetos inovadores do instituto.
Veja a entrevista completa.


