Em uma reviravolta criativa, o grupo de teatro O X do Drama , de Itapetininga, apresenta “Romeu e Julieta” em uma versão caipira e hilária, adaptada para o interior São Paulo.
A peça, que já é uma das mais encenadas de todos os tempos, ganha uma nova vida com o título de “Romero e Juliana“, explorando a trágica história de amor de Shakespeare com uma linguagem local e um humor peculiar.
O Portal das Cidades entrevistou os atores Luísa Ferreira Leite, José Henrique Medeiros e Mateus Henrique de Oliveira Pereira, que interpretam, respectivamente, Juliana, a Ama e Romero, detalharam o processo de criação e os desafios de trazer um texto de 500 anos para a realidade do século XXI.
Do Balcão de Verona ao Sertão Paulista
A adaptação é a chave para o sucesso da peça. Segundo Luísa Leite, a ideia de uma versão caipira surgiu do desejo de fazer algo diferente, mas que ainda assim mantivesse a essência da história. ”
É uma versão mais caipira, onde as coisas não são exatamente iguais, mas acaba sendo a mesma história,” explica.
Para Mateus Henrique Pereira, o desafio foi aproximar o público da obra.

“A gente traz piadas que são mais locais,” ele conta, “e isso tudo ajuda a conquistar a atenção do público.” A rivalidade das famílias, um dos pilares da tragédia original, é apresentada com um toque de humor, onde o ódio é tão antigo que já nem se sabe o motivo, mas continua forte, especialmente entre os pais.
A Urgência da Juventude em Cena
Apesar da comédia, a peça não perde a sua crítica social. Os atores discutem como o amor proibido e a pressão familiar ainda ecoam nos dias de hoje.
A história de Romero e Juliana, que se apaixonam em poucos dias e enfrentam uma tragédia, reflete a urgência dos sentimentos e a velocidade dos relacionamentos na era digital.
Luísa, que viveu a juventude durante a pandemia, entende essa dinâmica. “Lidar com o silêncio, eu acho que é uma coisa que as pessoas têm muita dificuldade,” ela reflete, “a internet potencializou isso de você querer o contato da pessoa o tempo todo.”
José Henrique adiciona que essa urgência na paixão dos personagens é um ponto crucial da obra, e que os atores Luísa e Mateus conseguem trazer essa ansiedade para o palco de forma brilhante.

A Magia do Teatro Itinerante e o Elenco Diversificado
A produção da peça é um espetáculo à parte. Sob a direção de Fábio Jurera, a montagem é concebida como um grupo de teatro itinerante que viaja de cidade em cidade para apresentar as obras de Shakespeare.

Essa metalinguagem permite que a peça transite entre a comédia e a tragédia de forma sutil, com momentos em que a plateia é lembrada de que se trata de uma encenação.
Outro ponto de destaque é a diversidade do elenco, que segundo José Henrique, é um “híbrido de pessoas de diversas idades”. Com atores de 18 a 72 anos, a peça ganha profundidade. A atriz Isabel, de 72 anos, que foi convidada de surpresa, se apaixonou pelo teatro e não quer mais sair.
A estética visual da peça, com figurinos e maquiagens baseados em pássaros, também reforça a ideia de um grupo itinerante.
Luísa, que foi responsável pela concepção, explica que cada personagem foi associado a um pássaro com uma personalidade compatível: a Ama é uma galinha-d’angola, o coronel, um gavião, e assim por diante. Essa atenção aos detalhes contribui para a riqueza da montagem.
Temporada e Homenagens
O grupo O X do Drama realizará a segunda temporada da peça em breve, com apresentações na Casa Kennedy, um espaço fundamental para a cultura de Itapetininga, cedendo o local para ensaios e apresentações. É importante destacar o grande trabalho de Jorge Paunovic e Valquíria Paunovic, responsáveis pela Casa Kennedy, por seu incansável apoio ao teatro e à cultura da cidade.
A adaptação de “Romeu e Julieta” do grupo O X do Drama é um exemplo de como a cultura clássica pode ser reinventada, dialogando com o público atual e celebrando a identidade local sem perder a sua força atemporal.
Quem tiver o interesse de assistir a peça “Romero e Juliana”, pode acompanhar as informações sobre as datas e horários no perfil do grupo nas redes sociais.
Veja a entrevista completa sobre a Peça “Romero e Juliana”.


